STF mantém renovação automática da CNH para motoristas sem multas

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Benefício vale para motoristas que não cometeram infrações nos últimos 12 meses

Flávio Dino rejeita pedido de entidade que questionava regra criada por medida provisória

Uma regra criada para premiar quem respeita o trânsito segue em vigor. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira (29) negar o pedido de suspensão da renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motoristas que não cometeram infrações nos últimos 12 meses.

A solicitação havia sido apresentada pela Associação Brasileira de Psicologia do Tráfego (Abrapsit), que questionou a validade da Medida Provisória (MP) 1.327/2025, responsável por instituir o cadastro de bons condutores e dispensar esse grupo da realização de exames médicos e psicológicos no momento da renovação do documento.

Na decisão, Flávio Dino entendeu que a entidade não tem legitimidade jurídica para propor a ação no STF. Segundo o ministro, a Abrapsit não preenche os requisitos exigidos para representar, em âmbito nacional, uma categoria profissional de forma homogênea.

“Admitir-se a legitimação extraordinária da Abrapsit significa atribuir-lhe a representação em juízo de interesses de uma comunidade muito mais ampla do que a dos seus associados”, afirmou Dino, ao destacar que a entidade reúne grupos heterogêneos e não comprova atuação efetiva em todo o país.

Com esse entendimento, o ministro também decidiu não analisar o mérito da ação direta de inconstitucionalidade, encerrando o processo sem avaliação do conteúdo da medida.

Renovação automática em vigor

A renovação automática da CNH para motoristas sem multas entrou em vigor no início de janeiro. Para ter acesso ao benefício, o condutor precisa estar inscrito no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC) e não ter cometido infrações de trânsito nos últimos 12 meses.

Segundo o Ministério dos Transportes, a medida já beneficiou 323.459 motoristas em todo o país. A estimativa é de uma economia de cerca de R$ 226 milhões, valor que inclui taxas e custos com exames que deixaram de ser exigidos.

Ainda de acordo com o governo federal, a nova regra altera a lógica do sistema ao estimular o bom comportamento no trânsito, em vez de focar apenas na punição de infrações.

A Medida Provisória segue em vigor, mas ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional para se tornar lei definitiva.