Sul-mato-grossense parte para dar a volta ao mundo em avião monomotor; veja o roteiro

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Monomotor foi pintado de verde e amarelo e ganhou a bandeira do Brasil na cauda (Fotos: Reprodução/Redes Sociais)

Expedição começa neste sábado em Aquidauana e prevê passagem por mais de 50 países até o início de 2027

A contagem regressiva terminou para o piloto sul-mato-grossense Mário Jorge Dias de Oliveira Filho. Natural de Aquidauana, ele inicia neste sábado (18) a maior aventura de sua carreira: uma expedição aérea que pretende dar a volta ao mundo em um avião monomotor, percorrendo cerca de 45 mil quilômetros, cruzando os cinco continentes e passando por mais de 50 países ao longo de aproximadamente 180 dias.

Sul-mato-grossense parte para dar a volta ao mundo em avião monomotor; veja o roteiro
(Foto: Divulgação/Instagram)

A decolagem simbólica acontece em Aquidauana, cidade onde o piloto nasceu, reunindo familiares, amigos, seguidores e autoridades em um momento de despedida. Depois, ele retorna a Campo Grande para iniciar oficialmente a viagem internacional, que seguirá por diversas regiões do Brasil antes de deixar o país rumo ao Caribe.

Conhecido nas redes sociais como “O Comandante”, Mário afirma que os últimos dias têm sido de intensa preparação. Entre a organização da documentação internacional, a revisão da aeronave, o planejamento da rota e a arrumação das malas, o aviador diz que os trabalhos seguem “a 300 km/h”, em referência à velocidade de um avião.

A jornada começará por cidades das regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Norte do Brasil. A última parada em território nacional será em Boa Vista (RR), de onde seguirá para o exterior.

Rota passa pelos cinco continentes

Sul-mato-grossense parte para dar a volta ao mundo em avião monomotor; veja o roteiro
(Foto: Divulgação/Instagram)

Ao longo da expedição, o piloto sobrevoará ou visitará dezenas de países da América, Europa, África, Ásia e Oceania. Entre os destinos previstos estão Estados Unidos, Canadá, Islândia, Egito, Emirados Árabes Unidos, Índia, Austrália, Japão, Rússia, Chile, Argentina e Paraguai.

O roteiro também inclui alguns dos cartões-postais mais famosos do planeta. Entre eles estão as Pirâmides de Gizé, no Egito; as Linhas de Nazca, no Peru; a Cordilheira dos Andes; a praia de Maho Beach, em São Martinho; a região vulcânica de Kamchatka, na Rússia; o Lago Bled, na Eslovênia; e as Cataratas do Iguaçu, no Brasil.

Segundo Mário, a proposta vai além da navegação aérea. O objetivo é mostrar diferentes culturas, paisagens, curiosidades e os desafios enfrentados durante uma viagem dessa dimensão sob o olhar de um piloto e explorador. “Vamos pousar em vários países e permanecer alguns dias em determinados destinos para mostrar a cultura, os povos, os pontos turísticos, os perrengues e todo o planejamento da expedição”, afirma.

Documentário acompanhará a aventura

Durante toda a viagem, Mário será acompanhado por um cinegrafista, responsável por registrar cada etapa da expedição. O material servirá de base para a produção de um documentário, além de conteúdos para as redes sociais, onde o piloto reúne milhares de seguidores compartilhando sua rotina na aviação.

A dupla ficará hospedada em hotéis, pousadas, hostels e, em alguns destinos, até mesmo na casa de seguidores que acompanham o projeto.

O “Brasileirinho”

A viagem será realizada a bordo de um Beechcraft Bonanza F33A, fabricado em 1993 e batizado de “Brasileirinho”. A aeronave recebeu pintura nas cores verde, amarelo e azul, além da bandeira do Brasil estampada na cauda.

O avião foi adquirido em fevereiro deste ano, na cidade de Kissimmee, na Flórida, nos Estados Unidos. Quando chegou às mãos do piloto, não possuía piloto automático nem sistema de GPS, exigindo adaptações antes da expedição.

Projeto custará cerca de R$ 1,5 milhão

Realizar uma volta ao mundo de avião exige um alto investimento. De acordo com Mário, o custo estimado da missão chega a aproximadamente R$ 1,5 milhão. Somente com combustível, a previsão é gastar cerca de R$ 800 mil.

O restante do orçamento inclui taxas aeroportuárias, autorizações internacionais, hospedagem, alimentação e manutenção da aeronave.

Os recursos são provenientes de patrocinadores, parcerias comerciais, campanhas de financiamento coletivo, venda de produtos e investimento do próprio piloto. “Não somos ricos. É praticamente um ‘all in’ financeiro da nossa vida. Ainda buscamos novos patrocinadores para ajudar a tornar esse sonho possível”, afirma.

Sonho antigo e despedida emocionante

Mário conta que a ideia de dar a volta ao mundo surgiu quando ainda não possuía um avião nem recursos financeiros para colocar o projeto em prática.

Agora, prestes a iniciar a expedição, ele admite viver um misto de alegria e saudade. A maior dificuldade será ficar longe da filha de apenas três anos durante os seis meses de viagem. “É uma mistura de felicidade e tristeza. Estou realizando um sonho, mas ao mesmo tempo é difícil deixar minha filha nessa fase tão especial da vida. Faz parte da profissão e desse desafio”, relata.

Formado em aviação executiva, Mário iniciou sua carreira em Campo Grande e concluiu a formação de piloto comercial, multimotor e voo por instrumentos nos Estados Unidos. Hoje, além de atuar como comandante, produz conteúdo sobre aviação, viagens e turismo, área que pretende expandir durante a inédita missão ao redor do planeta.

*com informações Correio do Estado