TJMS promove caminhada e dá voz às crianças que sonham com uma família

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Foto: TJMS

A manhã de domingo, 24 de maio, foi marcada por passos de solidariedade, esperança e amor em Campo Grande. Reunindo servidores do Poder Judiciário, famílias, apoiadores da causa e pessoas sensibilizadas pela temática da adoção, a caminhada “Entre passos e histórias… nasce uma família” transformou as ruas da capital em um grande convite à reflexão sobre o direito de crianças e adolescentes à convivência familiar.  

Com concentração em frente ao Bioparque Pantanal, os participantes seguiram pela Avenida Afonso Pena até a região do Parque dos Poderes, encerrando o percurso de aproximadamente 2,7 quilômetros no Malolo, localizado na Avenida do Poeta, esquina com a Rua Imbé, no bairro Chácara Cachoeira.   

A ação integrou as atividades alusivas ao Dia Nacional da Adoção e foi promovida pelo Poder Judiciário estadual, por meio da Coordenadoria da Infância e da Juventude do TJMS. O evento simbolizou a defesa do direito de crianças e adolescentes de crescerem em um ambiente familiar acolhedor e afetuoso, conscientizando sobre a importância da adoção.  

Coordenadora da Infância e da Juventude do TJMS, a desembargadora Elizabete Anache destacou que a adoção deve ser compreendida sempre sob a perspectiva da criança.

“Essas crianças e adolescentes que foram afastados de suas famílias biológicas precisam ter garantido o direito à convivência familiar. A gente promove essa caminhada justamente para lembrar que existem dezenas, centenas de crianças em MS esperando por uma família”, afirmou.  

 A desembargadora também chamou atenção para a necessidade de ampliar o olhar sobre os perfis das crianças aptas à adoção. Segundo ela, ainda existe uma idealização muito forte por parte dos pretendentes.  

“Muitas pessoas desejam adotar apenas bebês muito pequenos, mas a realidade é que muitas crianças acolhidas já têm seis, oito, dez anos ou mais. Elas acabam crescendo nas unidades de acolhimento sem encontrar uma família. Queremos mostrar que a adoção também transforma vidas independentemente da idade da criança”, ressaltou.  

A juíza da Vara da Infância, da Adolescência e do Idoso de Campo Grande, Katy Braun do Prado, lembrou que o Dia Nacional da Adoção é uma oportunidade para sensibilizar a sociedade sobre a realidade vivida por muitas crianças acolhidas institucionalmente.  

“Hoje queremos mostrar que há muitas crianças vivendo em instituições e que cada uma delas precisa de uma família para se desenvolver de forma plena, saudável e feliz. Em MS, atualmente, temos 157 crianças aguardando por uma família”, explicou.  

A magistrada também enfatizou que o processo de adoção está ao alcance de pessoas dispostas a oferecer cuidado, amor e acolhimento.  “Não são necessários requisitos difíceis. Precisamos de pessoas honestas, com a motivação correta de acolher e amar. O Poder Judiciário oferece toda a orientação e acompanhamento necessários para que essas adoções tenham êxito”. 

Segundo a juíza, os maiores desafios ainda estão relacionados à adoção tardia, de grupos de irmãos e de crianças com alguma condição de saúde ou deficiência. “As maiores dificuldades estão em encontrar famílias para crianças acima de 10 anos, grupos de irmãos e crianças com necessidades específicas. São elas que acabam ficando para trás na fila da adoção”.  

Ao longo do trajeto, cada passo reforçou uma mensagem simples, mas poderosa: toda criança merece crescer cercada de afeto, cuidado e pertencimento.