O gari que queria se tornar médico e salvar vidas. Esse até poderia ser o título de um filme hollywoodiano, ou um romance literário, mas é a história real de um homem de 48 anos morto de forma trágica na manhã dessa terça-feira (20), em Ponta Porã, na fronteira seca com o Paraguai.
A vítima, orgulhosamente, vestia as cores do uniforme de gari daquela Prefeitura Municipal e juntava os resíduos sólidos ao mesmo tempo em que trajava a roupa branca que simboliza qualquer profissional da medicina.
Embora ainda estivesse cursando em uma faculdade paraguaia (os registros apontam que iniciou em 2017), já tinha em suas redes sociais dezenas de fotos com o jaleco, estetoscópio e a pose de doutor, acompanhada de um sorriso que rasgava a boca de tamanha força.
Para bancar o nível superior e todas as despesas que a vida nos impõe, trabalhava como gari, sem qualquer vergonha. Durante a manhã dessa terça-feira, enquanto exercia o ofício, acabou atropelado pelo próprio caminhão da coleta de lixo, no Bairro Primavera.
O motorista detalhou que estava realizando uma manobra em marcha ré, enquanto a vítima teria descido ou escorregado da traseira. Sem conseguir ver, passou com o veículo por cima do corpo dele. Só parou quando foi alertado pelos demais.
Os colegas ainda tentaram o socorro e acionaram o Corpo de Bombeiros, mas quando a ambulância chegou, apenas se atestou o óbito do estudante. Natural de Minas Gerais, mudou-se para a fronteira na busca do sonho, como tantos outros acadêmicos.
A perícia investiga a dinâmica dos fatos. A Prefeitura de Ponta Porã divulgou uma nota de pesar pela morte do servidor, manifestando solidariedade aos familiares e amigos.





















