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Hoje (28) se celebra o Dia do Orgulho LGBTQIA+, data que marca o ativismo a essa causa que luta pelo fim do preconceito, por mais amor, respeito e mais liberdade de expressão. Atualmente a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), trabalha essa temática tão importante através de pesquisas, eventos, políticas inclusivas e do Centro de Estudo, Pesquisa e Extensão em Educação, Gênero, Raça e Etnia (CEPEGRE).

O Centro foi criado em setembro de 2014 e tem como objetivo geral propor, subsidiar, articular monitorar e avaliar políticas públicas e políticas de ação afirmativa, ligadas às questões de educação, gênero e sexualidade, cultura, raça e etnia, com foco no processo de inclusão para o acesso, permanência e conclusão na Educação Básica e Superior. 

UEMS: ações acadêmicas que buscam respeito e o fim do preconceito

Para essa data, conversamos com a coordenadora do CEPEGRE, Prof.ª Dra. Beatriz Landa, “ a importância da temática está em propiciar um outro olhar para esta questão por meio da pesquisa e extensão, da participação e proposição de ações junto com a comunidade LGBTQIA+, como possibilidades para a construção de uma universidade e uma sociedade mais inclusivas, respeitosas, e em diálogo constante com a diversidade, para minimizar o preconceito, racismo e a discriminação que tem afetado as pessoas que produzem afetos e vidas que não se enquadram no padrão hegemônico da sociedade”, pontua.

Vinculada ao CEPEGRE está a pesquisadora e docente Anna Carolina Horstmann Amorim, que realiza pesquisa nas áreas de gênero, feminismo, lesbianidades, homoparentalidade, parentesco, educação e diversidade; e recentemente começou uma pesquisa sobre pandemia, família e pessoas LGBTs.

Em entrevista pelo WhatsApp, a pesquisadora falou um pouco sobre como suas inquietações pessoais diante da desigualdade e do preconceito a levaram para pesquisa nessa área e também como a academia pode trazer mudanças na realidade social existente.

UEMS: ações acadêmicas que buscam respeito e o fim do preconceito

UEMS: ações acadêmicas que buscam respeito e o fim do preconceito“Sem dúvida as pesquisas científicas ajudam! Especialmente porque através delas podemos sair do senso comum e mergulhar em compreensões e conceitualizações mais abrangentes, e também científicas, a respeito da vida social (afetiva, política, educacional, sexual). Por meio destes processos de escrutínio e debate da vida social e da cultura podemos entender como e porque alguns comportamentos são validados enquanto outros são tomados como desviantes ou indesejados. Podemos compreender, igualmente, como existem particularidades em cada sociedade e como cada grupo define o que é adequado ou não a partir de regras sociais e organizacionais que são, antes de tudo, mutáveis, contingentes, sociohistoricamente definidas, sendo, portanto cabíveis de questionamento e transformação. Deste modo, através das pesquisas acadêmicas podemos entender quais são os processos determinados socialmente e historicamente que produzem preconceitos, exclusão e estereótipos relativos a determinados grupos, como os LGBTS e como podemos transforma-los, desnaturaliza-los e buscar por uma sociedade mais plural”, acrescente a pesquisadora Anna Carolina.

A professora ainda acrescenta que as pesquisas sozinhas não conseguem mudar realidades sozinhas, é preciso também o apoio das Instituições. “É fundamental que a Universidade como um todo incentive as atividades promovidas por grupos de pesquisa e centros como o CEPEGRE, que estão constantemente preocupados com a inclusão, permanência e bem-estar das pessoas LGBTs no espaço acadêmico”, finaliza.

Simpósio Sobre Saúde LGBTQIA+

Teve inicio no dia 26 e segue até 30 de junho, o grupo da Federação Internacional das Associações dos Estudantes de Medicina do Brasil (IFMSA Brazil) do Curso de Medicina da UEMS/Campo Grande organizou o primeiro simpósio on-line para tratar de questões relacionadas a saúde LGBTQIA+. O objetivo do evento, segundo a organização, é propagar conhecimentos acerca das principais facetas da saúde LGBTQIA+, abordando ações de cuidado, promoção e prevenção para acadêmicos dos cursos de saúde, profissionais da área e demais interessados.

A acadêmica de medicina, Isis Sodré, é uma das organizadoras do evento que reuniu diversos palestrantes que desenvolvem trabalhos na área. Antes mesmo do primeiro dia do evento, já tinham sido contabilizadas mais de mil inscrições de pessoas da comunidade em geral e de acadêmicos.

“ Nosso público alvo, área da saúde, ainda é muito resistente a temática; quando não é tabu, é tratado como irrelevante. Essa construção ajuda na ignorância, quebrando a relação entre profissional-paciente, o que afasta pessoas diariamente do atendimento em saúde. Mulheres lésbicas e bissexuais procuram menos ginecologistas que mulheres hétero. Pessoas trans não se sentem seguros em ambientes além de ambulatórios específicos por não receberem a atenção adequada. Nos surpreendeu muito atingir pessoas de todos os lugares do País e, principalmente, saber que muitos de fora da comunidade LGBTQIA+ se interessaram pelo evento (aproximadamente 40% do público) ”, explica a Isis.

A acadêmica ainda reforça que as discussões acerca do tema ainda hoje são escassas, e que os debates e trocas, como o proposto no simpósio, levam conhecimento para quem realmente não sabe sobre o assunto. 

Conquistas Nacionais

Foi divulgado essa semana a criação do Conselho Nacional Popular LGBTI que terá a participação de 24 organizações nacionais que atuam na defesa dos direitos da população LGBTI. A missão do Conselho será construir um projeto popular amplo e democrático que fomente políticas públicas e sociais voltadas a atender a população LGBTI em toda sua pluralidade e diversidade, além de contribuir na difusão dos direitos humanos, entendendo estes como espaços de lutas e disputas de narrativas, que propiciem o empoderamento de todas as identidades LGBTI. 

Conheça o significado dessa sigla que inspira respeito e amor

Ao longo dos anos esse conjunto de letras que inspira respeito veio sendo modificada com o objetivo de agregar cada vez mais amor. O termo começou a ser usado em meados dos anos 60, quando começaram as primeiras discussões sobre o tema. Por muito tempo, foram usadas apenas as letras GLS (Gays, Lésbicas e simpatizantes) para representar todos os indivíduos que não se encaixavam nos padrões heteronormativos. Com o passar dos anos o termo mudou para LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) e hoje em dia a comunidade usa a sigla LGBTQIA+ que abarca gênero e sexualidade.

Conhecer o significado de cada letra que compõe a sigla LGBTQIA+ ajuda a mostrar a diversidade que existe em nossa sociedade. Os significados e os termos foram pesquisados em vários sites, os mesmos também foram analisados por pesquisadores da área. Reforçamos que os termos com o passar do tempo podem mudar devida a evolução constante da construção social.

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