Passageira teve o capacete arrancado com o impacto; responsáveis pelo cabo ainda não foram identificados
Um fio atravessado sobre a pista provocou um acidente e deixou um casal ferido na noite deste sábado (11), na Avenida Cândido García de Lima, no Bairro Nova Lima, em Campo Grande. A queda da motocicleta foi registrada por uma câmera de segurança instalada nas proximidades.
As imagens obtidas pelo site Nova Lima News mostram o momento em que a motocicleta seguia pela avenida quando atinge o cabo que estava estendido sobre a via. Com o impacto, o condutor perde o controle da direção e os dois ocupantes são arremessados ao asfalto.
Durante a queda, o capacete da passageira se desprende e ela atinge o chão com violência. O motociclista também cai na pista após a colisão com o fio.
Logo após o acidente, o motorista de uma Fiat Fiorino que passava pelo local parou o veículo e prestou os primeiros socorros ao casal, que permaneceu caído na avenida até a chegada do atendimento.
Até a publicação desta reportagem, não haviam sido divulgadas informações oficiais sobre o estado de saúde das vítimas.
As circunstâncias do acidente deverão ser apuradas. Também não foi informado qual empresa é responsável pelo cabo que estava solto e atravessado na pista, situação que pode ter provocado a queda da motocicleta.
Problema recorrente na Capital
Casos envolvendo fios soltos não são incomuns em Campo Grande. Em diferentes bairros, moradores relatam com frequência a existência de cabos pendurados em postes, atravessados sobre vias ou espalhados por calçadas, aumentando o risco de acidentes com motociclistas, ciclistas, motoristas e pedestres.
Apesar das reclamações recorrentes, Campo Grande ainda não possui uma legislação municipal específica que obrigue a retirada de cabos sem uso pelas empresas responsáveis.
Em setembro de 2023, o governo federal lançou o programa Poste Legal, que estabelece diretrizes para organizar os cabos instalados nos postes das cidades brasileiras. A iniciativa prevê a adequação das redes para reduzir riscos à população e minimizar a poluição visual causada pelo excesso de fios.
Na Capital, porém, uma proposta apresentada em 2024 para obrigar empresas de telefonia a removerem cabos inutilizados após o cancelamento dos serviços não avançou. O projeto foi rejeitado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e acabou arquivado.
Mutirão retirou 15 quilômetros de cabos
No fim do ano passado, uma força-tarefa denominada Projeto Limpa Fios promoveu a retirada de cabos irregulares, abandonados ou sem identificação no quadrilátero central de Campo Grande.
A ação reuniu a Agência Estadual de Regulação (Agems), a Prefeitura de Campo Grande e o Grupo Energisa. Em apenas uma noite de trabalho, cerca de 15 mil metros de fios foram removidos de 43 postes da região central.
Mesmo com a iniciativa, moradores continuam relatando a presença de cabos soltos em diferentes regiões da cidade, situação que mantém o risco de acidentes semelhantes ao registrado neste sábado.
Cabos irregulares oferecem riscos
Segundo o coordenador da Câmara Técnica de Energia da Agems, Paulo Patrício, a retirada de cabos abandonados ou instalados de forma irregular é prevista nas normas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Conforme o especialista, a medida é necessária para garantir mais segurança, organização e o uso adequado da infraestrutura compartilhada entre as concessionárias de energia e as empresas de telecomunicações.
O Grupo Energisa informou que 144 empresas cadastradas foram notificadas antes da realização do mutirão. Ainda assim, anos de instalações irregulares e sem controle técnico provocaram excesso de peso nos postes, aumento do risco de acidentes — principalmente durante períodos de chuva — e agravamento da poluição visual.
De acordo com a concessionária, muitos dos cabos encontrados estavam sem identificação ou haviam sido instalados sem autorização, dificultando a fiscalização e a responsabilização das empresas proprietárias.





















