(Foto: Divulgação/ Polícia Federal)

A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira (20), nova operação, denominada ‘Vikare’, que atingiu oito Estados, incluindo Mato Grosso do Sul, indo as ruas para buscas, apreensões e prisões ante investigação de grupo criminoso que atua com o tráfico internacional de drogas, a partir do pequeno, mas ao que parece, estratégico estado do Amapá. Entre os presos, está o ex-deputado estadual Amapaense, Isaac Alcolumbre, primo do senador e ex-presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Contudo, o senador não é investigado na operação.

Veja abaixo, detalhes da investigação, que levou a pratica da operação, que tinha a cumprir mais de 50 mandados de busca e apreensão, entre eles seis, em três municípios de MS: Campo Grande, capital, e as fronteiriças com Paraguai, Paranhos e Aral Moreira. Além de cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Pará, Amazonas, Ceará e Piauí.

O balanço parcial da Vikare’, aponta que no MS, dois homens foram presos durante cumprimento de mandados em Campo Grande e em Aral Moreira, a 372 km da Capital. Bem como, foram três veículos apreendidos e seis mandados, executados em busca e apreensão e prisão, no Estado. Não foram apreendidos dinheiro, valores em espécie no Estado. Contudo, na Capital, foram levados pelos agentes um carro Nissan March, uma motocicleta BMW e um carro também da marca BMW. Em Paranhos, uma caminhonete Chevrolet S10 foi apreendida.

Conforme a PF, em todo o Brasil foram cumpridos 51 mandados de busca, 16 de prisão e 37 veículos apreendidos. Nas cidades de Foz do Iguaçu-PR, São Paulo-SP, Sorocaba-SP, Manaus-AM e Macapá-AP também houve apreensão de R$ 769.500,00 ao todo, em espécie.

Investigações

De acordo com registros policiais, as investigações apontavam para o grupo criminoso que usava o estado do Amapá como base operacional de suas atividades relacionadas à importação e transporte de drogas, por meio de aeronaves a serem distribuídas para diferentes pontos do País. Também foi descoberto que a organização criminosa possuía na estrutura, mecânicos de aeronaves, pilotos, operadores financeiros responsáveis por transacionar os valores obtidos pelas atividades ilícitas, além de terceiros que recebiam quantias em contas pessoais e de empresas, cujo objetivo era dar aparência de licitude aos valores obtidos com a prática criminosa.

O esquema mostra também que empresas de ‘fachada’ de outros Estados participavam do esquema para ocultar e mesmo dissimular o dinheiro amealhado ilegalmente. No Amapá, foram cumpridos quatro mandados de busca e dois mandados de prisão preventiva, em empresas e duas residências localizadas em Macapá, também em um aeródromo particular.

A apuração dos crimes começou em maio de 2020, no Amapá, quando suspeitaram de movimentações de aeronaves na região. Foram descobertos destroços de um avião de pequeno porte, que ficou atolado em uma região no município de Calçoene/AP. Este estava, em grande parte, destruído por um incêndio. Os policiais ainda perceberam que o avião estava adaptado para transportar drogas, semelhante ao que é feito com outros apreendidos em ações policiais Brasil afora.

Os investigadores levantaram informações de que outra aeronave pousou no mesmo local e resgatou os tripulantes e a carga. Ainda foi descoberto que o proprietário do avião foi preso em julho do mesmo ano, no Paraguai, enquanto pousava outra aeronave carregada com 425 kg de cocaína. A aeronave de pequeno porte utilizada para resgate das pessoas e carga, que havia caído em Calçoene/AP, em março, fora vendida a outro indivíduo. Este, em novembro de 2020, também foi preso em flagrante na cidade de Ipixuna/PA, próximo a Paragominas/PA, transportando 450 kg de “skunk”, logo após deixar Macapá, saindo de um aeródromo desta capital.

Só no Amapá

No Amapá, a Polícia Federal encontrou indícios de que este aeródromo fornecia apoio logístico, como combustível, para a aeronave fazer esses voos aos demais estados brasileiros, bem como a outros países fornecedores da droga, como Colômbia e Venezuela. O local também foi utilizado como ponto de apoio para realização dos preparativos da aeronave de modo a deixá-la em condições para voar com autonomia para longas distâncias e assim trazer a maior quantidade de drogas possível.

Bens de luxo apreendidos – Além dos mandados de prisão e de busca e apreensão, a Justiça Federal no Amapá, após representação da Polícia Federal, ainda impôs medidas de sequestro de bens, direitos e valores de 68 pessoas físicas e jurídicas: 95 veículos, entre carros, caminhões e motos, boa parte de luxo, com proibição da transferência de propriedade; 3 aeronaves com indisponibilidade e restrição de uso; 19 embarcações com indisponibilidade e restrição de uso; indisponibilidade de diversos imóveis em nome de 41 pessoas físicas e jurídicas; bloqueio de ativos financeiros de pessoas físicas e jurídicas que chegam ao montante de R$ 5,8 milhões. Os valores são individuais, ou seja, aplicados a cada envolvido.

Uma das empresas investigadas foi constituída no ramo de cosméticos, sob a administração de uma mulher de origem colombiana, residente em Sorocaba, São Paulo, o que facilitava o acesso a produtos químicos usados no refino de drogas. Constataram-se indícios de que a suspeita já havia sido presa em 2012, por tráfico de drogas, e era a principal responsável pelo fornecimento de drogas da organização criminosa.

A investigação revelou também que uma empresa do ramo de venda de peixes no Rio de Janeiro foi identificada como integrante da organização criminosa, cuja atuação consistia em esconder as drogas no meio da carga de peixe, na tentativa de dificultar o trabalho da polícia.

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