A mulher de 34 anos, morta pelo marido, de 46, estava em processo de separação e já tinha sofrido violência doméstica. A informação partiu de uma amiga e prestadora de serviços da própria vítima em depoimento à polícia, logo após a descoberta do feminicídio, na tarde desse sábado (29).
A testemunha, que reside ao lado do imóvel da vítima, contou que o casal acumula histórico de desavenças, com separações e reconciliações. Ela disse que, após não conseguir contato com a vítima, procurou pelo marido dela por meio de mensagens no celular, porém não obteve nenhum retorno, mesmo o sinalizador do aplicativo confirmando que tinham sido recebidas e lidas.
O corpo da mulher foi encontrado pela sua própria mãe, também por não conseguir contato e pelo fato de ela ter faltado ao trabalho, uma característica incomum. A mãe disse que chegou a conversar com o autor do feminicídio, questionando sobre o paradeiro, mas ele relatou apenas que tinha passado mal na noite de sexta-feira (28) e ido para a Santa Casa.
Desconfiada de que pudesse ter ocorrido algo com a filha, ela decidiu procurá-la na casa, na Rua Brasil Central, no bairro Santo Antônio. No portão, chamou pelo nome, mas não foi atendida. Com isso, usando uma escada, pulou o muro e, no momento em que entrou no interior, a encontrou deitada no sofá, coberta por um edredom e com uma corda no pescoço, sem respirar.
O Corpo de Bombeiros foi acionado e a equipe de socorristas atestou o óbito, confirmando ainda que tinha ocorrido há mais de 12 horas. Através das imagens da câmera de videomonitoramento, descobriu-se que o marido dela, juntamente com o filho do casal, um menino autista nível 2 de suporte de três anos, deixou o local na manhã de sábado, ou seja, já quando a mulher estava morta.
Conforme registrado no boletim de ocorrência, a criança foi entregue pelo autor do feminicídio à sua ex-esposa em uma escola particular localizada na Rua André Pace, no bairro Guanandi, onde trabalha como agente patrimonial. A ex-esposa, em depoimento, contou que o homem revelou ter tido uma desavença com a vítima na noite anterior e a assassinado com esganadura.
Com isso, pediu para ela ficar com o menino, enquanto se entregaria na Delegacia Especializada no Atendimento À Mulher (DEAM), com a ajuda de um primo. Posteriormente, o irmão da vítima foi até a escola e levou a criança para a sua casa. A investigação ainda não sabe dizer se o crime foi praticado na frente dele.
Agora, as autoridades apuram a motivação e a dinâmica até o óbito. Com a confirmação, o número de feminicídios em Mato Grosso do Sul, no decorrer deste ano de 2026, chegou a 25, dos quais cinco foram praticados em Campo Grande. O último caso ocorreu há apenas seis dias, em Aquidauana.





















