Um bar na região do bairro Itanhangá Park tem tirado o sono dos moradores nos últimos meses e ontem além de quatro viaturas da Polícia Militar comparecerem no local, o dono foi parar na delegacia. O caso foi registrado na Depac Centro (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) como perturbação do trabalho ou sossego alheio, abusando de instrumentos sonoros.

Ao Campo Grande News, um morador que pediu para não se identificar com medo de sofrer represálias conta que a situação vem acontecendo há meses, quando o Crajubar começou a ter música ao vivo nas quintas, sextas e também aos sábados.

“Tem som ao vivo, fecha a rua. Ninguém consegue dormir”, conta o administrador, de 35 anos, que acabou chamando a Polícia Militar ontem e registrando o boletim de ocorrência na Delegacia.

Ele já havia reclamado sobre o som alto e chegou até mesmo a conversar com os donos em uma reunião marcada no bar. “Eu fui para pedir ajuda, que estava me prejudicando. Eles falaram que não fariam mais música ao vivo e tentariam diminuir o barulho”, recorda.

Na semana passada, segundo o morador, o bar chegou a cancelar apresentações, mas voltou nessa quinta e ontem especificamente, o som estava incomodando muito. “Eu cheguei de viagem, tentava descansar. O som estava entrando dentro do meu quarto, liguei para a Guarda Municipal, Semadur, Polícia”, enumera.

As primeiras ligações começaram por volta de 21h30, cerca de 40 minutos depois, o morador foi chamado pela Polícia Militar para comparecer ao local. “Queriam que eu fosse pessoalmente para conversar. Me colocaram de frente, sabe? Minha imagem, minha família, agora sinto que corro risco, mas fui, tive que ir lá”, relata.

Quando a Polícia chegou, o morador conta que o som foi diminuído e o próprio policial chegou a questioná-lo. “Mas o senhor está reclamando deste som tão baixinho? Eu expliquei que quando a viatura vem, eles abaixam, mas é só eles virarem as costas para tudo voltar. Cheguei a chorar lá, eu não estava brincando”, descreve o vizinho.

O morador conta que a Polícia Militar sugeriu então dele registrar um boletim de ocorrência contra o dono do bar. “Levaram o dono na viatura e eu fui atrás acompanhando”.

Na delegacia, o dono do bar acionou o locatário do imóvel que foi acompanhado do advogado. Segundo o boletim, ele informou possuir alvará de funcionamento.

Síndico de um residencial próximo ao bar, Mario Abdo Gomes também foi à delegacia acompanhado do jurídico do condomínio para reforçar a reclamação.

“Eu recebo reclamação praticamente à noite inteira de som alto, algazarra, gritaria, povo dando cavalinho de pau saindo do bar, eles chegam a fechar a rua. Tocam o terror mesmo na pandemia”, conta Mario.

Segundo o síndico, o som alto começa na quinta, por volta das 19h e segue até 1h ou 2h. Somente agora, com o toque de recolher, que tem ido até meia-noite, mas ainda assim altíssimo.

“Já fizemos mais de 20 ligações para a Polícia Militar em dias diferentes e o bar fala que eles são influentes, tanto na prefeitura, tentaram até dar carteirada e entrar num acordo para a gente não registrar boletim, mas resolvi fazer pelos 200 moradores do condomínio”, explica o síndico.

O Campo Grande News teve acesso ao último contrato de locação do Crajubar que ainda está em vigor e em uma das cláusulas consta que “o locatário deverá cumprir com o limite de som ambiente e barulho do bar em 45 decibéis, limite este estabelecido na Lei complementar 316/2018 denominada Lei do Silêncio”. O que vem sendo questionado pelos vizinhos que também enviaram ao jornal vídeos das algazarras constantes no bar e do visível desrespeito às medidas de biossegurança em tempos de covid, como uso de máscara e distanciamento. “Nenhum distanciamento e pessoas tudo aglomeradas”, comenta o morador.

Via: Campo Grande News

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