Discussão do orçamento serve para governo reforçar mudanças na previdência

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01/12/2016 08h00

Discussão do orçamento serve para governo reforçar mudanças na previdência

Secretário disse que será preciso mudar aposentadoria para equalizar contas

Correio do Estado

O secretário de Governo e Gestão Estratégica, Eduardo Riedel, foi à Assembleia Legislativa hoje para discutir questões ligadas ao Orçamento de 2017, que tramita na Casa. Mas a conversa com os parlamentares serviu mesmo para adiantar proposta polêmica de mudança na previdência dos servidores.

A previsão de baixo crescimento da arrecadação para o próximo ano serviu para ele reforçar que sem mudanças na aposentadoria será difícil fechar as contas no futuro.

Riedel foi enfático ao falar com os deputados que a previdência seria, hoje, um dos grandes gargalhos do governo do Estado. “Entre as necessidades de ajustes para fechar as contas está a previdência social. Ninguém quer mexer com direitos adquiridos, mas temos que repensar o modelo para garantir os benefícios no longo prazo”, afirmou o secretário, por meio da assessoria de imprensa.

Para embasar seu discurso, ele apresentou números. Indicou que o deficit previdenciário começou em 2010, quando houve rombo de R$ 164 milhões. Para este ano, ele afirmou que o pagamento de benefícios vai requerer dos cofres públicos aproximadamente R$ 800 milhões.

“Temos que mudar o modelo porque ele já mostrou que gera a falência do sistema. Nós passamos, mas nossos filhos ficam. Os servidores, que dedicaram uma vida de trabalho para a sociedade, também ficam. E isso tem que ser respeitado”, ressaltou.

A mudança previdenciária no Estado também vem sendo uma exigência do governo federal para garantir que haja repasse de recursos extras, como a repatriação de dinheiro do exterior. Além disso, é uma bandeira levantada pelo presidente Michel Temer.

A verdade que as alterações nas aposentadorias dos servidores ainda é projeto, mas o governo estadual, que confirmou que pretende fazer mudanças, já começou a trabalhar nos bastidores para tentar garantir apoio.

O recado de Riedel foi enfático. “O orçamento fica comprimido porque a folha cresce e a receita não. O executivo tem feito um ajuste diário com corte de despesas. Mas estamos abrindo a discussão para que possamos construir um 2017 saudável. Vamos fazer isso agora para não esperar lá no final do ano e ter que buscar soluções emergenciais que possam impactar mais o cidadão”, afirmou.

CONVERSA AFINADA

Líder do governo na Assembleia, Rinaldo Modesto (PSDB) saiu em defesa da administração e ponderou que a presença do secretário na Casa serviu para mostrar que será preciso muito trabalho para equilibrar as contas.

“Os deputados estão conscientes que as projeções econômicas vêm caindo e que estamos em um momento de apreensão, mas a presença do secretário demonstra a boa vontade e o bom senso do Governo”, defendeu.

O presidente da Comissão de Finanças e Orçamento, Renato Câmara (PMDB), disse que os cortes serão inevitáveis para 2017. “Sabemos que será um ano difícil, com cortes públicos para manter o equilíbrio financeiro, mas é importante debatermos, porque isso fortalece os laços democráticos.”

MUDANÇAS

Os pontos para alteração no regime previdenciário estadual já antecipados pelo Estado são instituir regime complementar para o servidor que se aposenta acima do teto e a venda de ativos (entre eles bens que ainda compõem o patrimônio do extinto Previsul) para capitalizar o fundo de Previdência, constituído a partir de 2012.

O governo estadual divulgou que a cada ano o aumento no setor de aposentadoria é de R$ 200 milhões. “Fizemos o senso previdenciário, mas estamos discutindo Previdência também, porque existe um deficit enorme e quem paga esse deficit é a população sul-mato-grossense”, enfatizou o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), em entrevista concedida no dia 24 de novembro, em Brasília.

ORÇAMENTO

O secretário de Governo apresentou um histórico da arrecadação do ICMS, no período de 2010 a 2014, para sustentar que a receita sofreu queda. Os índices positivos variaram entre 7% e 17%. Com a crise em 2015, o crescimento foi de 3,4%. Para este ano, o aumento não passa dos 3%.

A Lei Orçamentária Anual 2017, projeto de lei 184/2016, prevê arrecadação de R$ 13.991.974.000 para 2017, enquanto neste ano o previsto foi de R$ 13.926.525.000.

A votação na Assembleia vai acontecer até a última sessão deste ano. O recesso parlamentar começa depois do dia 22 de dezembro. Depois da reunião com Riedel, os deputados devem apresentar emendas no orçamento.

Secretário de governo, Eduardo Riedel, conversa com deputado Rinaldo Modesto - Foto: Rosane Amadori/Governo do Estado