MPF abre investigação sobre as condições de tráfego na BR-262

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Publicado em 18/11/2017 14h26

MPF abre investigação sobre as condições de tráfego na BR-262

Somente neste ano, Polícia Rodoviária Federal registrou 180 acidentes, com 20 mortes, na pista entre Três Lagoas e Campo Grande

Da redação

O Ministério Público Federal (MPF) de Três Lagoas vai apurar em um inquérito civil as condições de tráfego e segurança da rodovia BR-262, no trecho entre Três Lagoas a Água Clara, segundo informações do site de notícias JP News. O procedimento foi instaurado com base em denúncia da procuradora do Trabalho, Cláudia Fernanda Noriler Silva, ao MPF.

Somente neste ano, ocorreram 180 acidentes na rodovia – 45 deles graves -, com pelo menos, 20 mortes. Isto equivale à media de 20 acidentes por mês. O último acidente grave ocorreu no domingo passado (11), no choque entre um ônibus e uma carreta carregada de eucaliptos. Catorze pessoas ficaram feridas. Nenhuma morreu.

Na denúncia, a procuradora cita uma declaração do presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Três Lagoas e Região, Otávio Vieira de Melo, de que todos os problemas na rodovia importam consequências na economia local, na saúde e segurança de motoristas e demais usuários da rodovia.

TRÁFEGO PESADO

Em resposta ao MPF, o chefe da delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Três Lagoas, Raul Pereira Gonzalez, reforçou a necessidade de providências para reduzir acidentes na rodovia e ressaltou o aumento do tráfego na pista desde que a BR-163 foi privatizada, em novembro de 2013, com a cobrança de pedágio. Também informou que nenhum recurso de mitigação de empresas que se instalaram no Estado foi destinado à manutenção da rodovia. Carretas com até 77 toneladas de peso bruto, destas mesmas empresas, trafegam pela pista.

Ainda de acordo com o chefe da PRF, os 127 quilômetros do trecho possuem ondulações, buracos e trepidações, além de acostamento degradado. Os desníveis chegam a 35 centímetros de altura em relação à pista- diferença chamada de um “abismo”.

Gonzales cita que motoristas são obrigados a invadir a pista contrária para desviar de buracos e que falta comunicação entre Três Lagoas a Água Clara, em 116 quilômetros sem cobertura de sinal de celular nem telefones de emergência. A sede da PRF , diz, não tem telefone.

A quantidade de tri-tens – carretas com 30 metros de cumprimento, que trafegam em comboios no transporte de eucaliptos, também contribui para os acidentes, segundo o chefe da PRF. “Como a rodovia não tem terceira faixa, o motorista impaciente acaba fazendo ultrapassagens ousadas e se expondo ao risco acidentes”, cita.

Mortes

No inquérito há cópias de boletins de ocorrências da PRF com relatos que a causa de dois acidentes, ocorridos no mês passado na 262, foram as condições da rodovia. Os acidentes foram nos quilômetros 84 e 87 e tiveram mortes. Num deles, a causa, segundo o boletim de ocorrência, foi uma aquaplanagem ou queda no desnível do acostamento. O outro, devido a um buraco na pista, e a um possível excesso de velocidade pelo motorista.

O procurador Jairo da Silva também pediu informações ao Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) sobre a manutenção da rodovia. O órgão relatou um problema no contrato com a empresa terceirizada e contrato foi cancelado. Outra empresa foi contratada e no mês passado e iniciou um tapa-buracos na rodovia.

RESTAURAÇÃO

O consórcio Ethos/Pavidez/Spazio venceu uma licitação para recuperar a rodovia por R$ 149,9 milhões. As obras devem começar em abril porque, agora, a empreiteira trabalha ainda na elaboração do projeto executivo.

A rodovia ganhará 32 quilômetros de terceira faixa, que serão construídos em trechos considerados mais perigosos, onde há rampas e curvas. O projeto prevê ainda dispositivos de segurança, como interseções e travessias, segundo o Dnit.

Péssimas condições da rodovia são as principais causas dos acidentes - Arquivo/divulgação