Acusado que matou Brunão em boate recebe pena de 17 anos

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Publicado em 24/11/2017 19h14

que matou Brunão em boate recebe pena de 17 anos

Crime aconteceu em 2011 e a demora do julgamento se deu pelos recursos apresentados pela defesa do réu para evitar o júri popular.

Da redação

A pena de Cristhiano Luna de Almeida por ter matado Jefferson Bruno Gomes Escobar, o “Brunão”, é de 17 anos, seis meses e 16 dias. O julgamento aconteceu mais de seis anos depois do crime, cometido em março de 2011. O julgamento foi realizado pela 2ª Vara do Tribunal do Júri nesta sexta-feira (24).

Segundo o juiz substituto Daniel Raymundo da Matta, “Verifico que o réu agiu com culpabilidade normal à espécie; não registra maus antecedentes; não há elementos negativos acerca de sua personalidade; possui conduta social desfavorável, conforme supra mencionado; motivos, circunstâncias e consequência inerentes ao tipo; a vítima em nada contribuiu para o crime”.

Na denúncia, consta que no dia 19 de março de 2011, por volta de 1h30, em uma boate na avenida Afonso Pena, o segurança foi agredido com socos, chutes e pontapés, sofrendo as lesões descritas no laudo pericial.

O réu também foi condenado por injúria, por período de 1 ano e 2 meses, pelo motivo de ter ofendido um garçom na boate onde houve a confusão que terminou no assassinato.

Cristhiano perdeu o direito de ficar em liberdade em julho deste ano, depois que foi flagrado bebendo. No período que estava fora da prisão ele trabalhou como confeiteiro. O condenado está recluso na Penitenciária da Máxima, que fica no bairro Noroeste.

A defesa confirmou que vai preparar o recurso para constestar a sentença. “Foi uma condenação injusta, só traduziu o sentido de vingança e justiça não é para fazer vingança”, alegou Fábio Trad.

Processo

Brunão morreu em 19 de março de 2011. Na ocasião, ele virou alvo de Almeida ao tentar retirá-lo de dentro da casa noturna após uma briga generalizada. Acabou linchado pelo acusado, bacharel em direito e praticante de artes marciais, do lado de fora do local.

O julgamento só está sendo realizado seis anos depois do crime porque a defesa do acusado impetrou diversos recursos e o processo foi parar no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decidiu pela manutenção do júri popular.

Aluízio Pereira dos Santos, juiz titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri, que, na época, mandou Cristhiano a julgamento meses após o crime, fala sobre o tempo de tramitação do processo.

“A sociedade está acompanhando esse julgamento para ver o resultado da justiça. A complexidade do caso já começa pela repercussão dos fatos. Esse julgamento, eu marquei para 2012, seis meses após os fatos, mas ele recorreu ao STJ , foram no mínimo três recursos. Ele só está sendo julgado agora porque foi preso, se não continuaria recorrendo e o julgamento demoraria mais uns dez anos para ser realizado”, disse Aluízio.

risthiano Luna sob escolta, sentado no banco dos réus, no Tribunal do Júri, em Campo Grande (MS) (Foto: Marcos Ribeiro)