Rodovias em MS seguem com bloqueios, mesmo após decisão do STF

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(Foto: Osvaldo Nobrega)

As manifestações de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) seguem bloqueando rodovias federais e estaduais em Mato Grosso do Sul pelo quarto dia, em protesto contra o resultado das urnas no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (30), mesmo após o pronunciamento do presidente e a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para a imediata desobstrução de todas as vias, sob pena de multa. 

Conforme a última atualização, oito pontos estão parcialmente interditados. Confira os pontos com bloqueios:

Trechos bloqueados em rodovias federais

  • BR 267 – km 364, em Maracaju – interdição parcial
  • BR 163 – km 256, em Dourados – interdição parcial

Trechos bloqueados em rodovias estaduais

  • MS 384 – Antônio João – Bela Vista – bloqueio parcial
  • MS 134 x MS-276 – Batayporã – bloqueio parcial
  • MS 178 – Bonito – saída para Jardim – bloqueio parcial
  • MS 289 – Coronel Sapucaia – entrada da cidade – bloqueio parcial
  • MS 164, km 16 – Maracaju – Vista Alegre – bloqueio parcial
  • MS 162 – Maracaju – saída para Sidrolândia – bloqueio parcial

Interdição em Campo Grande

A Avenida Duque de Caxias, está parcialmente interditada por bolsonaristas que manifestam contra o resultado da eleição do último domingo (30). Em frente ao CMO (Comando Militar do Oeste), foram colocados pneus que trancam duas mãos da via sentido Centro – bairro. A Avenida dá acesso ao Aeroporto Internacional de Campo Grande, deixando o trânsito mais lento nas proximidades.

Os protestos são promovidos por grupos que não aceitam o resultado das eleições e a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) nas urnas. Na tarde de terça-feira (1º), o presidente Jair Bolsonaro se pronunciou pela primeira vez sobre o resultado das urnas e comentou os protestos que ocorrem nas estradas em todo o Brasil.

“As manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas os nossos métodos não podem ser os da esquerda, que sempre prejudicaram a população, como invasão de propriedades, destruição de patrimônios e cerceamento do direito de ir e vir”, disse Bolsonaro.

Na segunda-feira (31), o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinou o desbloqueio imediato das estradas, com punições aos manifestantes e ao diretor-geral da PRF em caso de descumprimento.

Decisão do STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na segunda-feira a imediata desobstrução de rodovias e vias públicas que estivessem ilicitamente com o trânsito interrompido.
Moraes também determinou que a PRF adotasse imediatamente todas as providências, sob pena de multa de R$ 100 mil para o diretor-geral da PRF. 

Além da multa, há possibilidade de afastamento das funções e até prisão em flagrante por crime de desobediência do diretor-geral.

O ministro estipulou multa de R$ 100 mil por hora para donos de caminhões que estejam sendo usados em bloqueios, obstruções ou interrupções.

Na decisão, o ministro destaca que a Constituição assegura o direito de greve, manifestação ou paralisação.

Mas, com alguns adendos, “os direitos não podem ser exercidos, em uma sociedade democrática, de maneira abusiva e atentatória à proteção dos direitos e das liberdades dos demais”.

Desabastecimento

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) fez um alerta para o risco de desabastecimento e a falta de combustíveis, caso rodovias não sejam rapidamente desbloqueadas. Em nota, a entidade alertou que as indústrias já sentem os impactos no escoamento da produção e relatam casos de impossibilidade do deslocamento de trabalhadores.

Segundo a CNI, as paralisações já atingem o transporte de cargas essenciais, como equipamentos e insumos para hospitais, bem como matérias-primas básicas para as atividades industriais.

Dados da CNI mostram que 99% das empresas brasileiras usam as rodovias para transporte de sua produção. “O setor industrial se posiciona contrariamente a qualquer movimento que comprometa a livre circulação de trabalhadores e o transporte de cargas e que provoque prejuízos diretos no processo produtivo e na vida dos cidadãos – os mais impactados com essa situação”, destacou a CNI.