Comunidade escolar pede revogação do novo Ensino Médio durante audiência

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Professores, estudantes e representantes de entidades ligadas à área da Educação se reuniram ontem (27) no Teatro Municipal de Dourados durante a audiência pública “Revoga Novo Ensino Médio”, proposta pela deputada estadual Gleice Jane (PT), em alusão à 24º Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública 2023. “O Ensino Médio vem sendo debatido na tentativa de mudança há muitos anos. Mas o que o Governo retrasado fez e o Governo passado implementou foi esse NEM [Novo Ensino Médio], precursor para todas as reformas que retiraram direitos. Desde o ano passado, estamos nas salas de aula vivenciando essa experiência, que trouxe na verdade o esvaziamento do conhecimento”, afirmou a parlamentar.

A deputada Gleice Jane, que também é professora, explicou que a reforma trouxe uma quantidade enorme de unidades curriculares sem a adequada discussão a respeito do tema. “O que se tem hoje é uma educação extremamente superficial, em que as estudantes e os estudantes estão sendo prejudicados e nós, professoras e professores, estamos sendo massacrados com uma quantidade enorme de burocracia e em condições de trabalho que não permitem o aprofundamento do conhecimento”, avaliou. 

Ela ressaltou que, atualmente, há a disposição do Governo Federal para o debate, por isso estão sendo realizadas audiências públicas com as Câmaras Municipais, Federação dos Trabalhadores em Educação (Fetems), Sindicatos Municipais dos Trabalhadores em Educação (Simteds), com a categoria e estudantes. “São movimentos com atores sociais que vivenciam diariamente a educação, para dizer que esse Ensino Médio proposto não serve, não traz beneficio nenhum nem mesmo para o desenvolvimento econômico do País, porque todo país se desenvolve por meio da educação”, reiterou a parlamentar. 

Desmonte da educação pública

Dentre as falhas apontadas no Novo Ensino Médio, foi entendimento entre os participantes da audiência que o atual modelo precariza a educação publica, provoca desmonte das politicas educacionais, restringe o acesso da classe trabalhadora ao Ensino Superior, limita o currículo, fomenta a privatização da educação publica e, por fim, prejudica substancialmente o acesso dos estudantes de escola pública às universidades. 

Comunidade escolar pede revogação do novo Ensino Médio durante audiência
Profissionais destacaram “precarização da educação pública”

“A audiência foi um passo para ampliar o debate, em um processo participativo, democrático, ouvindo toda comunidade escolar, como tem que ser. Como Legislativo, temos que ouvir essas pessoas e somar no movimento que entendemos ser um retrocesso. Vamos documentar nosso pedido de revogação com as considerações dessa atividade e encaminhar ao MEC, somando na luta pela educação pública de qualidade junto aos sindicatos e a deputada Gleice Jane”, avaliou o vereador de Dourados, Elias Ishy. 

“Nós precisamos rediscutir. Revogar o novo Ensino Médio e fazer, de fato, um debate com a comunidade, com os profissionais da educação, com as universidades, e trazer o conhecimento científico, o saber científico dentro de uma base curricular que seja realmente formadora na ciência e em preparação para o ensino superior” , afirmou o presidente do Simted Dourados, professor Thiago Coelho.

“Com a participação de trabalhadores e trabalhadoras em educação, alunos, pais e sociedade em geral pudemos realizar uma audiência pública com palestras esclarecedoras e falas qualitativas, oportunizando aos presentes elementos relevantes para a defesa da revogação deste projeto que só trouxe retrocessos para a educação pública”, afirmou a vice-presidente da Fetems, Deumeires Morais. 

Novo Ensino Médio

As mudanças no Ensino Médio foram estabelecidas pela Lei 13.415/2017, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/1996) e instituiu a “Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral”. O novo Ensino Médio, conforme cronograma estabelecido pela Portaria 521/2021, será implementado gradativamente até 2024.

No início deste mês de abril, o Ministério da Educação (MEC) informou a suspensão do cronograma. A decisão consta da Portaria 627/2023, assinada pelo ministro Camilo Santana. A suspensão é por 60 dias, até a conclusão da consulta pública para a avaliação e reestruturação da política nacional de Ensino Médio.

O assunto interessa diretamente a milhares de estudantes e seus familiares. De acordo com o Censo Escolar 2021, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Mato Grosso do Sul tinha 109.762 matriculados no ensino médio naquele ano. Em todo o País, essa etapa da educação tem 7,8 milhões de estudantes.

*Com informações da assessoria parlamentar