
Com resistência de Alcolumbre, advogado-geral da União deve ser sabatinado em 10 de dezembro
A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 20 de novembro, enfrenta um cenário de incertezas no Senado. Embora Lula tenha tornado pública a escolha e a publicado no Diário Oficial da União, o governo ainda não enviou a mensagem formal ao Congresso Nacional — etapa indispensável para avançar no processo de análise. A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) está marcada para 10 de dezembro, mas pode ser adiada.
O atraso na formalização e o clima político tensos entre o Planalto e o Senado colocam em dúvida os próximos passos. A escolha de Messias desagradou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que defendia a indicação de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso. Contrariado e sem ter sido comunicado pessoalmente por Lula, Alcolumbre tem resistido a colaborar com o trâmite.
No Planalto, cresce o temor de que Messias seja rejeitado — algo que não ocorre desde 1894. Caso isso aconteça, Lula será obrigado a indicar outro nome, sem possibilidade de reverter a decisão.
Governo tenta ganhar tempo, mas enfrenta resistência
O governo trabalha para adiar a sabatina, numa tentativa de ampliar o apoio no Senado e evitar um desgaste político. A estratégia, porém, esbarra diretamente na postura de Alcolumbre, que controla o ritmo da CCJ e tem se mostrado contrário à indicação.
Enquanto isso, Messias intensifica sua peregrinação pelos gabinetes, numa prática conhecida nos bastidores políticos como “beija-mão”. Ele precisa, ao menos, de 14 votos dos 27 membros da CCJ e 41 votos no plenário. Nos corredores do Senado, cálculos preliminares indicam que o advogado-geral da União teria menos de 30 votos garantidos.
Messias reconhece a dificuldade. “Tenho procurado conversar com todos os senadores”, disse ele, que pretende contatar os 81 parlamentares antes da votação. Ele tenta, sem sucesso até agora, uma reunião com Alcolumbre. “Gosto muito do presidente Alcolumbre, estou tentando falar com ele. No momento certo ele vai me atender”, afirmou.
Crise política amplia divisão interna no Senado
Segundo senadores como Omar Aziz (PSD-AM), o problema não está no currículo de Messias, mas no ambiente político fragmentado. “O Senado está muito dividido”, avaliou.
Nos últimos dias, a crise se aprofundou com o rompimento entre Alcolumbre e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A falta de aviso prévio sobre a escolha de Messias foi vista como quebra de confiança.
Para o advogado criminalista e mestre em direito Rafael Paiva, a resistência ao nome de Messias é essencialmente política. “Parece que houve frustração de promessa ou expectativa de indicação de outro nome. É assim que funciona a política”, afirma. Ele avalia que uma eventual rejeição mostraria um enfraquecimento de Lula na reta final do mandato.
Calendário apertado e incertezas
Com menos de duas semanas para a sabatina, o Palácio do Planalto tenta reconstruir pontes com lideranças do Senado. Um encontro entre Lula e Alcolumbre é aguardado, mas ainda sem data.
Enquanto isso, Messias segue em campanha discreta, tentando reverter resistências e ampliar apoios.
A sabatina está marcada para 10 de dezembro, mas, diante do cenário, novos adiamentos não estão descartados. O desfecho da indicação deve se tornar um dos maiores termômetros da relação entre Executivo e Legislativo neste fim de ano.




















