Isenção do IR para salários até R$ 5 mil será vitrine da campanha de Lula

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Lula quer explorar politicamente o cumprimento da promessa da isenção do Imposto de Renda (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

A um ano da eleição, governo aposta em promessa cumprida enquanto enfrenta entraves na agenda de segurança pública

A um ano das eleições presidenciais, a equipe responsável pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva já desenha as principais linhas do discurso que pretende levar ao eleitorado em 2025. No centro da estratégia está uma promessa feita em 2022 e concretizada neste ano: a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000 mensais.

O governo considera a medida um dos pilares da comunicação eleitoral porque atinge diretamente a maior parte da população assalariada do país. Levantamento interno mostra que, em oito estados, mais de 90% dos trabalhadores recebem até R$ 5 mil, sendo fortemente beneficiados pela nova regra. Entre eles estão Maranhão (94,8%), Piauí (93,2%), Ceará (93,1%), Alagoas (92,5%), Paraíba (92,3%), Bahia (92,2%), Amazonas (90,7%) e Acre (90%).

Em Mato Grosso do Sul, 76% da população será beneficiada. De acordo com estimativas do CETAD (Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal), 162.987 trabalhadores sul-mato-grossenses deixarão de pagar o imposto a partir de 2026. Outros 82.010 contribuintes, com renda mensal entre R$ 5 mil e R$ 7,35 mil, terão descontos progressivos no valor devido.

Nos demais 18 estados, o percentual de beneficiados também é expressivo. A única exceção é o Distrito Federal, onde apenas 48% dos assalariados ganham até R$ 5 mil — o menor índice do país.

Isenção do IR para salários até R$ 5 mil será vitrine da campanha de Lula

Segurança pública vira desafio estratégico

Apesar de apostar na economia como motor da campanha, o governo reconhece dificuldades para lidar com a agenda de segurança pública, considerada sensível entre os eleitores e de grande desgaste político para o Planalto.

O Executivo tenta avançar em três propostas prioritárias:

  • PEC da Segurança Pública, que sofre resistência de governadores de direita, que afirmam perder autonomia;
  • PL Antifacção, que chegou ao Senado com um texto reprovado pelo governo;
  • PL do Devedor Contumaz, aprovado no Senado, mas travado na Câmara em meio ao desgaste na relação com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Ao R7 Planalto, o secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Marivaldo Pereira, defendeu que os três projetos são essenciais para combater facções criminosas. Ainda assim, o Planalto admite dificuldades em construir maioria para aprová-los.

Pronunciamento neste domingo

Para reforçar o discurso econômico, Lula deve fazer neste domingo (30) um pronunciamento em rede nacional, destacando justamente a vitória do governo com a ampliação da faixa de isenção do imposto de renda. A expectativa é que o presidente use o tema como porta de entrada para outras ações voltadas ao eleitor de baixa remuneração — público estratégico para o PT.

O movimento marca o início de uma campanha que pretende contrastar avanços econômicos com entraves na segurança pública, enquanto o governo busca equilibrar suas prioridades em um ano decisivo.