MS inicia 2026 com força-tarefa estadual para conter avanço da dengue e da chikungunya

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Estado amplia uso de armadilhas, visitas domiciliares e mutirões para reduzir focos do mosquito (Foto: Kamilla Ratier/SES)

SES amplia bloqueio químico, capacita equipes municipais e reforça papel da população na prevenção

O Governo de Mato Grosso do Sul iniciou 2026 com um reforço nas ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, apostando em integração entre Estado e municípios para enfrentar o período de maior risco de proliferação do vetor da dengue, chikungunya e zika. A estratégia, coordenada pela SES (Secretaria de Estado de Saúde), prioriza padronização das medidas, apoio técnico às prefeituras e atuação conjunta em todo o território sul-mato-grossense.

Segundo a SES, o trabalho foi intensificado neste início de ano com reuniões técnicas e alinhamento direto com os 79 municípios, para garantir que as ações de controle vetorial sejam executadas conforme as diretrizes nacionais e adaptadas à realidade regional. Entre as principais medidas fortalecidas estão o bloqueio químico adequado, com uso de bomba costal motorizada, e a ampliação da Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI), que passa a ser executada por todos os municípios em 2026.

A BRI consiste na aplicação de inseticida com efeito residual em pontos estratégicos, especialmente em locais com grande circulação de pessoas, garantindo proteção por várias semanas. De acordo com o coordenador estadual de Controle de Vetores, Mauro Lúcio Rosário, o foco neste ano é assegurar que as ações ocorram de forma regionalizada e integrada.

“Estamos em contato direto com todos os municípios para alinhar as ações de controle vetorial em cada região. A proposta é atuar de forma integrada, oferecendo parceria técnica para que as ações sejam executadas de acordo com as diretrizes nacionais e com a realidade de cada local”, explica.

Monitoramento ampliado

MS inicia 2026 com força-tarefa estadual para conter avanço da dengue e da chikungunya
Armadilhas ovitrampas estão em fase final de implantação nos 79 municípios (Foto: Ministério da Saúde)

Outra frente estratégica é a implantação das armadilhas ovitrampas, que permitem monitorar com maior precisão a presença do mosquito. A SES informa que a metodologia já está em fase final de implantação nos 79 municípios do Estado, restando apenas nove para a conclusão total.

Além disso, o Estado amplia o uso das Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), armadilhas que utilizam o próprio mosquito como vetor do produto. “O mosquito entra em contato com o larvicida e acaba levando esse produto para recipientes que muitas vezes não são visíveis ou acessíveis, como calhas, telhados ou áreas de construção. Isso possibilita um controle mais eficiente”, detalha Mauro Lúcio.

A capacitação das equipes municipais também faz parte do planejamento, com treinamentos presenciais, reuniões técnicas e encontros online para atualização e esclarecimento de dúvidas.

Cenário exige atenção

De acordo com a gerente de Doenças Endêmicas da SES, Jéssica Klener, o cenário epidemiológico reforça a necessidade de antecipação das ações. Ela afirma que os registros de dengue neste início de ano estão ligeiramente acima dos observados no mesmo período de 2025.

Além disso, a chikungunya já apresenta transmissão em alguns municípios, o que, segundo a SES, exige vigilância permanente e resposta coordenada entre Estado e prefeituras.

Visitas domiciliares e mutirões

MS inicia 2026 com força-tarefa estadual para conter avanço da dengue e da chikungunya
População é parte essencial da prevenção

Para 2026, a meta da Secretaria é que 100% dos municípios realizem visitas domiciliares, consideradas a principal ferramenta de prevenção. Durante as visitas, agentes de combate a endemias e agentes comunitários de saúde orientam os moradores, identificam focos e registram situações que demandam encaminhamento a outros setores.

Os mutirões de limpeza seguem sendo incentivados, mas com uma abordagem mais estratégica. “Não basta apenas recolher lixo. É fundamental identificar qual é o depósito predominante em cada município, seja lixo, caixas d’água, tonéis, fossas ou outros recipientes. Com base nesses dados, as ações se tornam mais eficientes”, reforça o coordenador estadual. As ações contam ainda com apoio da Vigilância Sanitária, especialmente em pontos estratégicos como borracharias e ferros-velhos.

Papel da população

A SES destaca que o controle do mosquito depende também do engajamento da população. Para a secretária-adjunta de Estado de Saúde, Crhistinne Maymone, o trabalho do poder público ganha força quando há participação ativa da sociedade.

“A atuação do Estado e dos municípios é fundamental, mas se torna ainda mais eficaz quando a população participa. Pequenas ações no dia a dia, como a limpeza regular do quintal e dos ambientes da casa, fazem diferença na redução dos focos do mosquito”, afirma.

A recomendação é que cada morador reserve ao menos 10 minutos por semana para eliminar recipientes que possam acumular água, ajudando a reduzir o risco de transmissão da dengue e da chikungunya ao longo de 2026.