Governo zera imposto sobre diesel, mas queda no preço deve ser gradual, dizem economistas

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Medida zera tributos sobre o combustível e cria taxação sobre exportações de petróleo para compensar perda de arrecadação

Medida assinada por Luiz Inácio Lula da Silva também aumenta taxação sobre exportação de petróleo para compensar perda de arrecadação

O governo federal aposta no diesel mais barato como ferramenta para frear a inflação e aliviar custos do transporte no país. Decretos assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva zeraram os impostos federais sobre o combustível e elevaram a taxação sobre a exportação de petróleo, mas economistas avaliam que o impacto no bolso do consumidor deve acontecer de forma gradual.

A medida elimina a cobrança de tributos federais sobre o diesel e, ao mesmo tempo, aumenta a alíquota sobre as exportações de petróleo. A estratégia do governo é compensar a perda de arrecadação provocada pela redução dos impostos internos, mantendo o equilíbrio fiscal enquanto tenta conter pressões inflacionárias.

Segundo o economista Hugo Garbe, a redução tributária pode levar à queda no preço final do combustível, mas o repasse ao consumidor dificilmente ocorre de maneira imediata ou integral.

De acordo com ele, o valor pago nos postos depende de diferentes etapas da cadeia produtiva, que incluem refinaria ou importação, distribuição, transporte e revenda, cada uma com margens próprias. Além disso, estoques comprados anteriormente por distribuidoras e postos podem retardar a redução percebida pelo consumidor.

Na prática, parte da queda tende a chegar aos preços finais, mas normalmente de forma gradual e, em alguns casos, parcialmente absorvida ao longo da cadeia de comercialização.

Impacto na inflação

Como o diesel é o principal combustível utilizado no transporte rodoviário de cargas no Brasil, a redução de custos pode contribuir para aliviar pressões inflacionárias, ainda que de maneira limitada.

Garbe explica que a forte dependência do país do transporte por rodovias torna o diesel um insumo estratégico para a logística de alimentos, produtos agrícolas e mercadorias industriais. Assim, qualquer redução no combustível pode diminuir custos de frete, embora o preço dos alimentos também dependa de fatores como safra, clima, câmbio e valores internacionais das commodities.

Estratégia fiscal

A elevação da taxação sobre a exportação de petróleo busca capturar parte da renda gerada pelos preços internacionais da commodity e compensar a renúncia fiscal causada pela desoneração do diesel.

Ainda assim, o impacto sobre o mercado doméstico tende a ser limitado. Isso porque, apesar de ser grande exportador de petróleo bruto, o Brasil ainda importa parte relevante do diesel consumido internamente, mantendo os preços ligados ao mercado internacional.

O economista também alerta que a taxação pode gerar distorções caso permaneça por muito tempo, reduzindo marginalmente a atratividade das exportações brasileiras ou levando empresas a revisar estratégias comerciais.

Medida de curto prazo

Para o economista César Bergo, o principal objetivo da iniciativa é evitar que o aumento do diesel pressione ainda mais os custos do transporte e, consequentemente, os preços dos produtos ao consumidor.

Segundo ele, se a redução tributária for totalmente repassada, o diesel poderia cair cerca de R$ 0,60 por litro. No entanto, fatores externos continuam influenciando diretamente o preço dos combustíveis, especialmente a cotação internacional do petróleo e a variação do dólar.

Bergo avalia que a medida tem caráter pontual e busca enfrentar um cenário momentâneo de pressão sobre os preços. Apesar disso, setores dependentes do transporte rodoviário podem sentir algum alívio imediato, enquanto fatores estruturais — como o mercado internacional de petróleo e o câmbio — seguem determinando o comportamento dos combustíveis no país.