Copom inicia reunião para decidir juros e mercado espera primeiro corte da Selic

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(Foto: Marcelo Casal Jr - AB)

Taxa está em 15% ao ano, maior nível desde 2006; decisão do Banco Central sai nesta quarta-feira

A definição do rumo dos juros no Brasil começa a ser decidida nesta terça-feira (17), quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia mais uma reunião considerada decisiva para a economia. O mercado financeiro aguarda o possível início do ciclo de cortes da taxa Selic, hoje em 15% ao ano — o maior nível em quase duas décadas. O resultado será anunciado na quarta-feira (18).

A nova taxa básica de juros valerá pelos próximos 45 dias, até o próximo encontro dos diretores do Banco Central, responsável por avaliar o cenário econômico e calibrar a política monetária do país.

Na última reunião, realizada em janeiro, o Copom optou por manter a Selic em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva, interrompendo o ciclo de sete altas seguidas iniciado em setembro de 2024. O patamar atual é o mais elevado desde 2006.

Expectativa de início dos cortes

Analistas do mercado financeiro divergem sobre o tamanho da redução que pode ser anunciada nesta semana. Parte aposta em um corte mais cauteloso, de 0,25 ponto percentual, enquanto outra parcela avalia que há espaço para uma redução maior, de 0,5 ponto percentual.

De acordo com o boletim Focus — pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras — a expectativa predominante é de um corte moderado, que levaria a Selic de 15% para 14,75% ao ano.

A cautela nas projeções está ligada principalmente ao cenário internacional ainda instável e à recente alta nas expectativas de inflação.

Estratégia do Banco Central

Na ata divulgada após a última reunião, o Copom avaliou que a política monetária adotada vinha sendo “adequada”, mas sinalizou a possibilidade de início da flexibilização dos juros, desde que mantida uma postura considerada restritiva.

Segundo o comitê, os juros devem permanecer em níveis elevados até que haja consolidação do processo de desinflação e maior segurança de que as expectativas inflacionárias estejam alinhadas à meta oficial.

O Banco Central também destacou que o dinamismo do mercado de trabalho e fatores que ainda pressionam os preços exigem cautela na condução da política monetária.

Cenário externo pesa na decisão

Entre os principais riscos apontados pela autoridade monetária está o ambiente internacional incerto, especialmente diante da política econômica dos Estados Unidos e seus impactos nas condições financeiras globais.

Além disso, tensões geopolíticas e a volatilidade de commodities, como o petróleo, aumentam a pressão inflacionária e exigem maior prudência dos países emergentes, incluindo o Brasil.

O que é a taxa Selic

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação medida pelo IPCA.

Quando os juros sobem:

  • o crédito fica mais caro;
  • financiamentos e empréstimos encarecem;
  • consumo e investimentos tendem a desacelerar.

Já a redução da taxa estimula a atividade econômica ao baratear o crédito e incentivar o consumo.

Como a Selic chegou a 15%

Entre agosto de 2022 e junho de 2023, a taxa permaneceu em 13,75% ao ano. Depois, o Banco Central iniciou um ciclo de cortes, com seis reduções de 0,5 ponto percentual e uma de 0,25 ponto, levando a Selic a 10,5% em maio de 2024.

O cenário mudou em setembro daquele ano, quando a autoridade monetária voltou a elevar os juros diante da pressão inflacionária. Desde então, foram sete aumentos consecutivos, até atingir os atuais 15% ao ano — o maior nível em quase 20 anos.

Agora, o mercado acompanha se a reunião desta semana marcará oficialmente a virada na política monetária brasileira, com o início de um novo ciclo de queda dos juros.