Índice sobe em março e inadimplência chega a 28%, com maior impacto entre os mais pobres
Em cada 10 famílias de Campo Grande, pelo menos 7 convivem com algum tipo de dívida — é o que revela a nova edição da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), que aponta avanço do comprometimento financeiro na Capital.
De acordo com o levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o índice de endividamento chegou a 70,1% em março. O percentual representa leve alta em relação a fevereiro e crescimento de 6,7 pontos percentuais na comparação com o mesmo período do ano passado.
Entram na conta das dívidas compromissos como cheques pré-datados, uso de cartão de crédito, carnês de lojas, empréstimos pessoais, financiamentos de veículos e seguros.
Outro dado que chama atenção é o aumento da inadimplência. Em março, 28% dos consumidores afirmaram ter contas em atraso. Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, esse índice sobe para 31,4%, enquanto entre os que ganham acima desse patamar cai para 13,3%.
Segundo a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS (IPF-MS), Regiane Dedé de Oliveira, o tipo de dívida também varia conforme a renda. O cartão de crédito lidera em todas as faixas, sendo citado por 67,6% dos entrevistados.
Entre as famílias de menor renda, os carnês aparecem em segundo lugar, com 20,7%, seguidos pelo crédito pessoal, com 11,2%. Já entre os que recebem mais de 10 salários mínimos, o destaque fica para financiamentos de veículos, mencionados por 26,3%, além de financiamentos imobiliários e carnês, ambos com 15,8%.
Apesar das diferenças no tipo de dívida, o nível de comprometimento da renda é semelhante entre os grupos. Nas famílias de menor renda, em média 29,3% do orçamento está comprometido com dívidas. Já entre as de renda mais alta, o índice chega a 32,6%.
Os dados fazem parte da Peic de março de 2026 e indicam que, mesmo com variações entre os perfis de renda, o endividamento segue elevado e atinge a maior parte das famílias campo-grandenses.













