Cotistas têm maior taxa de conclusão no ensino superior, aponta Censo

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(Foto: Sam Balye/Unsplash)

Índice chega a 49% entre alunos de cotas, contra 42% dos demais

Mais da metade não chega ao fim do curso, mas, entre os que entram pelas cotas, o desempenho é melhor: dados oficiais mostram que esses estudantes concluem mais a graduação do que os demais colegas nas instituições federais.

Levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, divulgado no Censo da Educação Superior 2024, indica que 49% dos alunos que ingressaram por meio de políticas de reserva de vagas concluíram o ensino superior. Entre os demais estudantes, o índice de conclusão foi de 42%.

Os números reforçam o impacto das ações afirmativas implementadas pelo Ministério da Educação, que têm ampliado o acesso e também garantido permanência e conclusão dos cursos por parte de grupos historicamente excluídos.

Expansão do acesso

Entre 2013 e 2024, mais de 1,4 milhão de estudantes ingressaram em instituições federais por meio das cotas. Só em 2024, foram 133.078 novos alunos nessa modalidade.

A maior parte das matrículas ocorreu em universidades federais, com mais de 110 mil estudantes, enquanto cerca de 22 mil ingressaram na rede federal de educação profissional, científica e tecnológica.

Programas ampliam inclusão

Além da Lei de Cotas, programas como o Sistema de Seleção Unificada, o Programa Universidade para Todos e o Fundo de Financiamento Estudantil ampliaram o alcance das políticas afirmativas.

Desde a criação desses mecanismos, cerca de 2 milhões de cotistas ingressaram no ensino superior. Pelo Sisu, mais de 790 mil estudantes acessaram universidades públicas via cotas. Entre 2023 e 2026, foram mais de 307 mil.

O Prouni, pioneiro nas ações afirmativas, já beneficiou mais de 1,1 milhão de estudantes pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência desde 2005. Já o Fies passou a incluir cotas mais recentemente e, em 2024, garantiu acesso a cerca de 29,6 mil estudantes desses grupos.

Mudanças na Lei de Cotas

Atualizada em 2023, a Lei de Cotas passou a incluir vagas específicas para quilombolas e ampliou o acesso de estudantes de baixa renda, ao reduzir o limite de renda familiar exigido.

A legislação também manteve a exigência de que os alunos tenham cursado todo o ensino médio em escola pública, além de incluir escolas comunitárias do campo conveniadas ao poder público.

Impacto

Os dados do censo indicam que, além de ampliar o acesso, as políticas afirmativas têm contribuído para melhorar os índices de conclusão no ensino superior, consolidando o papel dessas iniciativas na redução das desigualdades educacionais no país.