Oscar Schmidt, maior nome do basquete brasileiro, morre aos 68 anos

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Oscar "Mão Santa" Schmidt é o maior cestinha de todos os tempos, com 49.737 pontos — Foto: Divulgação/NBA

O esporte brasileiro perdeu nessa sexta-feira (17) um dos seus maiores ícones. O lendário jogador de basquete Oscar Schmidt, aos 68 anos, em decorrência de um câncer. As informações da imprensa esportiva nacional detalham que o ex-atleta sofreu um mal-estar e foi levado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), em Santana do Parnaíba (SP). A causa da morte não foi divulgada.

Conhecido pelo apelido de ‘Mão Santa’, consagrou-se como o maior pontuador da história das Olimpíadas e ingressou no hall da fama da modalidade, reconhecido até mesmo pelos Estados Unidos, berço do basquete, mesmo sem jamais ter disputado a NBA, mais importante competição da modalidade esportiva.

Oscar atuou como ala-armador e vestiu a camisa 14 da Seleção Brasileira, acumulando 7.693 pontos, sendo 1.093 anotados em cinco edições dos Jogos Olímpicos. Até hoje, é o único jogador a ter superado a marca de 1.000 pontos na competição. A morte do lendário atleta ocorre no mesmo mês em que foi introduzido ao Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil, após ter alcançado o mesmo feito na NBA.

Em 1984, o New Jersey Nets, atualmente Brooklyn Nets, tentou contratar Oscar para disputar a liga americana de basquete profissional. Entretanto, devido a uma regra da NBA na qual não era permitido aos atletas defenderem suas seleções natais, o jogador brasileiro optou por não aceitar e se aventurou em times do próprio Brasil, Itália e Espanha, sempre deixando recordes e títulos.

A história

Oscar Schmidt — Foto: Reprodução/Instagram
Oscar Schmidt — Foto: Reprodução/Instagram

Oscar nasceu no dia 16 de fevereiro de 1958, em Natal (RN). Foi incentivado pelo pai no esporte, mas somente quando a família mudou para Brasília (DF) é que passou a jogar basquete e, aos 13 anos, chegou ao seu primeiro clube: o Unidade da Vizinhança. Três anos depois, foi para São Paulo, onde atuou no infanto-juvenil do Palmeiras.

Foi convocado para a seleção da categoria e, por ter se destacado, recebeu um chamado para a equipe principal. Em 1978, conquistou seus primeiros títulos: o Sul-Americano e o terceiro lugar no Mundial das Filipinas. O desempenho de Oscar o levou a ser contratado pelo Sírio, em 1979, equipe pela qual foi campeão da Copa William Jones, o Mundial Interclubes de basquete.

No ano seguinte, participou daquela que foi a sua primeira de cinco edições de Jogos Olímpicos, Moscou 1980, em que marcou 169 pontos e ficou em quinto lugar com a seleção brasileira. Em 1982, mudou-se para a Itália, atuando no Juvecaserta. Foram 11 temporadas, oito pelo Juvecaserta e três pelo Pavia.

Além de títulos, Oscar também colecionou recordes, como o de fazer um total de 13.957 pontos e se tornar o primeiro atleta a superar a marca de 10 mil pontos no Campeonato Italiano. Em 1993, chegou a Espanha, no Fórum, time de Valladolid. Somente em 1995, foi contratado pelo Corinthians. Passou pela equipe do banco Bandeirantes, Mackenzie e o Flamengo.

No Rubro-Negro, jogou de 1999 a 2003, sendo bicampeão carioca e vice-brasileiro, e se tornou o maior cestinha da história do basquete, com 49.737 pontos. Por anos, Oscar carregou o título de maior pontuador do basquete no mundo todo, feito que foi superado somente no ano de 2024, por um certo LeBron James, que alcançou 49.760 pontos em jogos oficiais.

O ‘Mão Santa’ se aposentou em 2004 e desde então passou a ter a carreira reconhecida. Em 2013, entrou para o Hall da Fama do basquete de Springfield, em Massachusetts. Em 2017, o Brooklin Nets resolveu homenagear o brasileiro, que recebeu um quadro com camisa personalizada, de número 14, no Barclays Center, em Nova York, e participou do Jogo das Estrelas da liga americana.

Oscar Schmidt é o maior cestinha da história dos Jogos Olímpicos, dos Mundiais e da seleção de basquete — Foto: Arquivo/CBB
Oscar Schmidt é o maior cestinha da história dos Jogos Olímpicos, dos Mundiais e da seleção de basquete — Foto: Arquivo/CBB

Pela seleção, atuou em cinco Jogos Olímpicos e marcou 7.693 pontos em 326 jogos, média de 23,5 pontos por partida. O maior feito foi a surpreendente vitória sobre os Estados Unidos na final do Pan de 1987, por 120 a 115. Além de cestinha, com 46 pontos, converteu sete arremessos de três. Conquistou 3 Sul-Americanos, 2 Copas América e 1 Pan-Americano.

Foi em 2011 que descobriu um câncer no cérebro. Realizou a primeira cirurgia para a retirada do tumor de oito centímetros no mesmo ano, porém, em 2013, apareceu novamente e, outra vez, foi operado. Após anos, Oscar recebeu o prognóstico de cura total. Nos últimos, o seu quadro clínico passou a ser sigiloso e pouco divulgado pela família e o próprio atleta.

Veja todos os feitos de Oscar Schmidt

  • Mais participações em Olimpíadas – 5
  • Mais pontos em Olimpíadas – 1.093
  • Mais vezes cestinha em Olimpíadas – 3
  • Mais cestas de três pontos, dois pontos e lances livres em Olimpíadas
  • Mais minutos jogados em Olimpíadas
  • Mais pontos totais em Campeonatos Mundiais – 893
  • Mais pontos em um jogo de Olimpíadas – 55, contra a Espanha, em 1988
  • Mais pontos em um jogo de Mundial – 52, contra a Austrália, em 1990
  • Mais pontos em um único jogo de Pan-americano – 53, contra o México, em 1987
  • Mais pontos em um jogo da Liga Sul Americana – 46, contra o Ambassadors, pelo Flamengo
  • Mais pontos pela Seleção Brasileira – 7.693
  • Mais pontos em um único Campeonato Italiano – 1.760, em 40 jogos, jogando pelo Pavia
  • Mais vezes cestinha na Itália – 8, jogando por Caserta e Pavia
  • Maior média de pontos no Campeonato Italiano – 34,6 em 11 anos pelo Caserta e Pavia
  • Estrangeiro que fez mais pontos na história do Campeonato Italiano – 13.957
  • Lances livres consecutivos em jogos da Seleção Brasileira – 34, no Pan-americano de 1979
  • Lances livres consecutivos em jogos profissionais – 90 no Campeonato Carioca, pelo Flamengo
  • Lances livres consecutivos em treino – 196 num treino da seleção brasileira
  • Três pontos consecutivos em um jogos – 8/8, no Campeonato Espanhol, pelo Fórum
  • Dois pontos consecutivos em um jogo – 12/12, no Campeonato Espanhol, pelo Fórum
  • Lances livres consecutivos em um jogo – 22/22, na Itália, jogando por Caserta
  • Quatro camisetas aposentadas na carreira – 18, de Caserta (Itália); 11, de Pavia (Itália); 14, do Unidade Vizinhança (Brasília); 14, do Flamengo (Rio de janeiro)
  • 271 partidas consecutivas sem faltar no campeonato italiano com Caserta durante 7 anos.