
Indicado por Lula tenta garantir apoio em votação marcada por disputa entre governo e oposição
O caminho de Jorge Messias rumo ao Supremo Tribunal Federal entra nesta quarta-feira (29) em uma etapa decisiva e marcada por articulações políticas intensas no Senado. Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar uma vaga na Corte, o advogado-geral da União será sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em meio a uma disputa voto a voto entre governo e oposição.
A sessão da CCJ será o primeiro teste formal da indicação de Messias. Para avançar, ele precisará do apoio da maioria dos senadores presentes na comissão. Depois disso, o nome seguirá para votação no plenário do Senado, onde são necessários ao menos 41 votos favoráveis.
As duas votações ocorrerão de forma secreta, o que aumenta a expectativa em torno do placar e dificulta previsões precisas sobre o resultado final.
Nos bastidores, aliados do governo avaliam que o indicado deve conseguir aprovação tanto na comissão quanto no plenário. A projeção entre governistas varia entre 43 e 48 votos favoráveis no Senado.
A indicação de Jorge Messias, feita por Lula em novembro de 2025, provocou desgaste político com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Nos bastidores, Alcolumbre defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco para a vaga no Supremo.
O impasse levou o governo a adiar por meses o envio oficial da indicação ao Senado. O processo só foi formalizado neste mês, após negociações políticas e tentativas de aproximação entre os grupos envolvidos.
Na semana passada, Messias e Alcolumbre participaram de um encontro reservado na residência do ministro do STF Cristiano Zanin. Também estiveram presentes o ministro Alexandre de Moraes e Rodrigo Pacheco.
Segundo interlocutores do governo, o encontro ajudou a reduzir tensões políticas em torno da sabatina. Apesar disso, aliados de Alcolumbre afirmam que o presidente do Senado não se comprometeu diretamente com votos favoráveis, mas garantiu que o processo seguirá de forma institucional.
Às vésperas da votação, o governo federal também intensificou a articulação política no Congresso. Dados do orçamento apontam que cerca de R$ 12 bilhões em emendas parlamentares foram empenhados recentemente. O PL, principal partido de oposição, foi a legenda com maior volume de recursos reservados no Senado.
Messias também recebeu apoio público de integrantes do governo e aliados políticos. O vice-presidente Geraldo Alckmin participou de almoço com o indicado e lideranças do PSB nesta terça-feira (28). Já o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou que acompanhará a sabatina como gesto de apoio.
A oposição promete endurecer os questionamentos. Parlamentares ligados ao PL afirmam que devem explorar temas como a atuação de Messias no governo Lula, sua relação com o PT e posicionamentos sobre os atos de 8 de janeiro.
A sabatina será conduzida pelo presidente da CCJ, Otto Alencar. O rito prevê uma apresentação inicial do indicado, seguida de perguntas dos senadores organizadas em blocos.
Caso aprovado, Jorge Messias assumirá a vaga deixada pelo ministro aposentado Luís Roberto Barroso. A espera pela análise da indicação já entrou para a história recente do Supremo: foram cerca de 150 dias entre o anúncio feito por Lula e o início formal da tramitação no Senado, um dos maiores intervalos já registrados para uma indicação à Corte.



















