Cantora colombiana reúne multidão no Rio, mistura clássicos e novas músicas e recebe convidados como Anitta, Caetano Veloso, Bethânia e Ivete Sangalo
Quando as luzes se apagaram em Copacabana na noite deste sábado (2), não havia mais dúvida entre os fãs: Shakira não estava apenas encerrando uma turnê, mas escrevendo mais um capítulo de sua relação com o Brasil em um palco que já entrou para a história dos grandes shows internacionais.
A apresentação na praia carioca marcou mais uma passagem da turnê “Las Mujeres Ya No Lloran” pelo país, agora em um formato adaptado para a escala monumental do evento gratuito na orla. Depois de um espetáculo no Zócalo, no México, a cantora colombiana chegou ao Rio já consciente do peso simbólico de se apresentar no mesmo espaço que recebeu nomes como Madonna e Lady Gaga.
Mesmo com atraso de pouco mais de uma hora, o público permaneceu firme na areia. Quando Shakira apareceu no palco, a resposta foi imediata: uma multidão em coro, dançando desde os primeiros acordes de “La Fuerte”, que abriu a apresentação com forte influência eletrônica e já indicava o tom da noite.
Na sequência, “Girl Like Me” reforçou uma das linhas centrais do show: a celebração da identidade latina e das mulheres. O repertório seguiu com “Las de la Intuición” e “Estoy Aquí”, em uma versão mais curta do que o habitual.
Entre uma música e outra, Shakira se emocionou ao falar com o público. Lembrou dos primeiros anos de carreira, quando esteve no Brasil ainda jovem, e celebrou o reencontro com os fãs. A artista também destacou o simbolismo de retornar ao país em um momento de grande visibilidade da música latina no cenário global.
Um dos pontos mais marcantes da noite foi “Acróstico”, quando imagens dos filhos, Milan e Sasha, foram exibidas nos telões, transformando o espetáculo em um raro momento de intimidade em meio a um evento de grandes proporções.
O setlist ainda passou por sucessos como “La Tortura”, “Hips Don’t Lie” e “La Bicicleta”, que ajudaram a manter o clima de festa na praia. Em alguns momentos, a cantora chegou a dividir o palco com convidados, reforçando a proposta de celebração coletiva.
Entre os momentos mais comentados, está a participação de Anitta em “Choka Choka”, apresentada como “rainha” por Shakira. A parceria ao vivo marcou um dos pontos altos da conexão entre artistas brasileiras e a estrela colombiana.
A noite também abriu espaço para encontros inesperados. No palco, Shakira dividiu momentos com Caetano Veloso, Maria Bethânia e Ivete Sangalo, em interpretações que misturaram clássicos da música brasileira com o repertório da artista.
Já na reta final, o público foi levado a uma sequência de grandes hits, incluindo “Whenever, Wherever” e “Waka Waka”, que transformaram Copacabana em um coro único sob os mandamentos da “loba”, como a própria artista costuma se definir.
Após mais de duas horas de apresentação, ficou a impressão de que Shakira conseguiu algo raro em megashows: manter a força vocal, a presença de palco e a conexão emocional com o público em uma escala de milhões de pessoas.
No fim da noite, a areia de Copacabana virou uma espécie de celebração coletiva. Entre luzes, coreografias e nostalgia, a cantora encerrou mais um espetáculo que reforça sua posição entre os nomes mais influentes da música pop mundial — e mais uma vez sob aplausos de um público que não quis deixar o show acabar.




















