PT e oposição travam disputa política após vazamento de áudios de Flávio Bolsonaro

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(Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Petistas querem explorar caso nas redes, enquanto aliados defendem CPI do Banco Master

Os áudios vazados envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ampliaram a disputa política entre governo e oposição em Brasília. Enquanto o PT pretende usar o caso para intensificar ataques nas redes sociais, aliados do parlamentar defendem a criação de uma CPI para investigar o Banco Master e reforçar a versão de que o senador não cometeu irregularidades.

Segundo lideranças petistas ouvidas pelo portal R7, o momento é visto como estratégico para desgastar a imagem de Flávio Bolsonaro e associá-lo a denúncias de corrupção. A ofensiva também deve resgatar críticas antigas relacionadas à compra de uma mansão em Brasília, em 2021, que já havia sido alvo de questionamentos envolvendo suposta prática de rachadinha.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, afirmou que o episódio pode representar “o início do fim para a família Bolsonaro”. Para o parlamentar, as mensagens revelam proximidade entre os envolvidos no caso.

Do outro lado, integrantes da oposição passaram a defender publicamente a instalação de uma CPI do Banco Master no Senado. A avaliação de aliados é de que uma investigação formal poderia comprovar a inocência do senador.

O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva, afirmou que a oposição sempre apoiou a criação da comissão parlamentar.

“É bom que vai investigar todo mundo e vamos ver que o nosso presidente será inocentado”, declarou.

Já o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, disse que a bancada permanece unida em defesa de Flávio Bolsonaro.

“Não aceitaremos tentativas de transformar uma iniciativa privada em narrativa política artificial para atingir adversários. Seguimos firmes na defesa da verdade, da transparência e da correção de conduta daqueles que representam milhões de brasileiros”, afirmou.

Em nota, Flávio Bolsonaro confirmou a relação com Daniel Vorcaro, mas negou qualquer irregularidade envolvendo o acordo firmado para a produção do filme “Dark Horse”, obra biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet”, declarou o senador.

Um dos áudios divulgados mostra Flávio chamando Vorcaro de “irmão” e cobrando repasses financeiros ligados ao projeto audiovisual.

“Não podemos vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo. Eu já tenho muita conta para pagar esse mês e o mês seguinte também”, afirma o senador em um trecho da gravação.

De acordo com reportagens publicadas nesta quarta-feira, o filme teria previsão de receber até US$ 24 milhões em financiamento privado, valor equivalente a cerca de R$ 134 milhões na cotação da época.

O empresário Thiago Miranda, apontado como intermediador das negociações, afirmou ao R7 que Daniel Vorcaro teria enviado pelo menos R$ 62 milhões relacionados ao projeto. Até o momento, não há decisão judicial que relacione Flávio Bolsonaro a fraudes investigadas envolvendo o Banco Master.