Médico mandou funcionários retirarem armário com armas e munições de dentro da casa após a morte da esposa

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Foto: Reprodução

A Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) continua apurando a possibilidade de feminicídio na morte da fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos, ocorrida na manhã da segunda-feira (18) em uma casa situada no bairro Chácara dos Poderes, em Campo Grande. O marido dela, um médico cardiologista de 78 anos, foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso permitido e restrito, já que foram encontradas armas do tipo longa distância sem o registro legal.

Nessa terça (19), o delegado Leandro Santiago, um dos responsáveis pelo caso, detalhou que a vítima morreu por consequência do disparo de um tiro na cabeça, sem possibilidade de sobreviver. Na versão do marido, a esposa teria cometido suicídio, entretanto, testemunhas e o próprio médico apresentaram versões contraditórias sobre a dinâmica dos fatos.

Um dos pontos que chamou a atenção da investigação está na mudança repentina de um armário usado para guardar armas de fogo e munições — o médico é colecionador (CAC). O delegado apontou para fraude processual, já que o armário foi retirado da casa e levado para outro imóvel na propriedade logo após a morte da vítima. O caseiro e mais um ex-funcionário ajudaram o médico na mudança.

Ainda na atualização, Leandro Santiago destacou que a perícia preliminar encontrou inconsistências entre o ferimento na cabeça e a versão apresentada pelo médico. “A lesão que a vítima tinha na região da cabeça não condizia com a versão apresentada pelo suspeito”. Na casa, foram apreendidas armas longas, munições e armamentos de uso permitido e restrito.

Na versão do médico, a esposa fez a rotina matinal e foi ao andar superior, não retornando mais. Por conta disso, ele foi até o quarto, mas a porta estava trancada por dentro. Estranhando o fato, o médico retornou ao andar inferior e ligou para a esposa, que não atendeu. Na sequência, ouviu o barulho do disparo de uma arma de fogo. Ao subir novamente, encontrou a porta do quarto aberta e a esposa morta.

Por conta dos fatos, o médico, o caseiro e o ex-funcionário foram enquadrados pelo crime de fraude processual. Agora, a Polícia Civil irá instaurar um inquérito complementar sob uma perspectiva de gênero para esclarecer se a morte da fisioterapeuta foi suicídio ou feminicídio. Se for comprovado, esse será o 13º caso de feminicídio do ano em Mato Grosso do Sul.