Estudantes africanas de Medicina da UFMS trocam experiências em roda de conversa nesta sexta no ‘Dia de África’

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Estudantes Marinela Rodrigues Sanches, Paula Gomes e Vanilza do Rosário participam da roda de conversa (Foto: Divulgação)

A força das histórias africanas, os laços entre ancestralidade e futuro e a importância da escuta intercultural estarão no centro do encontro “Dia de África: Cultura, História e Pertencimento”, que acontece nesta sexta-feira (29), a partir das 17h, no auditório da FETEMS, localizado na Rua 26 de Agosto, 2296, no bairro Amambaí, em Campo Grande. O evento é aberto ao público e reunirá estudantes africanas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul em uma Roda de Conversa sobre vivências, memória, identidade e permanência no Brasil.

A mediação será da professora aposentada Maria Aparecida da Conceição, moradora de Tacuru, e contará com a participação de Marinela Rodrigues Sanches, estudante de Medicina vinda de São Tomé e Príncipe em 2022, além de Vanilza do Rosário, acadêmica do 5º ano de Medicina, Paula Gomes e Eliana Batista Fernandes, estudantes da UFMS.

Para a estudante de Medicina Paula Gomes, a experiência de viver no Brasil tem sido marcada por descobertas, desafios e pela reconstrução do sentimento de pertencimento. Natural de um país africano e vivendo longe da família, ela conta que a adaptação envolve aprendizados constantes. “É uma experiência bem conflituosa, porque ao mesmo tempo que é muito gratificante poder aprender novas culturas e sair da zona de conforto, também dói. A saudade de casa é muito grande. Apesar de aqui agora ser a minha casa, o meu lar ficou lá, com a minha família, com o cheiro da minha comida preferida. Mas, com o tempo, o aprendizado aumenta e eu também aprendi muito sobre quem sou e sobre quem eu quero ser”, relata.

Mais do que uma atividade simbólica, o encontro propõe um espaço de aproximação entre culturas e experiências que muitas vezes permanecem invisibilizadas. Participar do “Dia de África”, segundo Paula, também é uma forma de fortalecer vínculos e aproximar culturas.

“Quando estou perto de outras pessoas como eu, que também estão longe de casa, tudo melhora. E é muito bom ver amigos e conhecidos sul-mato-grossenses aprendendo mais sobre a nossa querida África. Essa curiosidade mostra que estão abertos a nos receber e fazer com que Mato Grosso do Sul seja também a nossa casa”, afirma.

Ela destaca ainda a necessidade de superar visões estereotipadas sobre o continente africano. “Queria que as pessoas entendessem que não somos apenas aquilo que aparece nas mídias. Assim como o Brasil, a África é diversa, formada por diferentes povos, identidades e culturas. Somos diferentes, mas também somos um só. Gostaria que nos dessem a chance de mostrar quem somos, sem nos rotular pelo que veem”, completa.

Para Bartolina Catanante, a Professora Bartô, presidente do Grupo TEZ, as reflexões trazidas por estudantes como Paula dialogam diretamente com a proposta do evento, que busca promover um espaço de aproximação entre culturas e experiências que muitas vezes permanecem invisibilizadas.

“É fundamental que a gente conheça mais a África pelas vozes das próprias pessoas africanas. Existe uma riqueza histórica, cultural e ancestral muito grande que precisa ser valorizada e compreendida para além das visões limitadas que muitas vezes nos são apresentadas”, afirma.

Bartô destaca ainda que o encontro também fortalece a construção da identidade negra e o diálogo entre juventudes. “Quando essas estudantes compartilham suas trajetórias, elas também ajudam outras pessoas negras a se reconhecerem, compreenderem sua ancestralidade e fortalecerem seu pertencimento. São trocas que transformam quem fala e quem escuta”, pontua.

O evento busca reunir estudantes, agentes culturais, educadores e toda a comunidade interessada em refletir sobre cultura africana, memória e diversidade, fortalecendo pontes entre Mato Grosso do Sul e as diferentes experiências do continente africano presentes na universidade e nos territórios culturais do estado.

A Roda de Conversa integra ações do Pontão de Cultura Egbé TEZ, projeto que conta com investimento da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc), do Governo Federal, através do MinC (Ministério da Cultura), executado pelo Governo do Estado, por meio da FCMS (Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul).