Senado vai discutir impactos da decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas

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Senador Nelsinho Trad diz que decisão precisa ser analisada com cautela (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Nelsinho Trad pretende reunir governo, especialistas e diplomatas para avaliar efeitos da medida no Brasil

Uma decisão anunciada pelos Estados Unidos com potencial para repercutir na segurança pública, na diplomacia e até no cenário político brasileiro já mobiliza o Congresso Nacional. A classificação das facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas, prevista para entrar em vigor em 5 de junho, será tema de debates no Senado Federal nas próximas semanas.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado e da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), informou que pretende reunir especialistas em segurança pública, representantes do governo federal e integrantes da diplomacia norte-americana para analisar os possíveis efeitos da medida anunciada por Washington.

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A data do encontro ainda não foi definida, mas a expectativa é que a discussão ocorra após o feriado de 4 de junho. Entre os convidados devem estar representantes dos ministérios das Relações Exteriores e da Defesa, além de membros da representação diplomática dos Estados Unidos no Brasil.

Atualmente, a Embaixada americana em Brasília é comandada pela encarregada de negócios Natasha Franceschi, responsável pela representação diplomática do país desde a saída do embaixador Gabriel Escobar.

Segundo Nelsinho Trad, o objetivo é avaliar os desdobramentos jurídicos, políticos e diplomáticos da classificação das facções criminosas, além de subsidiar eventuais posicionamentos do governo brasileiro diante da iniciativa americana.

“O combate ao crime organizado é fundamental, mas qualquer medida internacional precisa respeitar a soberania nacional e ser analisada com cautela”, afirmou o senador.

Missão aos Estados Unidos é avaliada

Parlamentares também estudam a possibilidade de realizar uma missão oficial aos Estados Unidos para dialogar diretamente com autoridades americanas sobre os critérios utilizados para enquadrar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

A proposta segue modelo semelhante ao adotado em 2025, quando integrantes do Congresso viajaram ao país para discutir medidas tarifárias impostas às exportações brasileiras.

A intenção é obter esclarecimentos sobre os fundamentos da decisão e compreender seus possíveis reflexos para a cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado.

Governo monitora possíveis efeitos jurídicos

Nos bastidores de Brasília, integrantes da base governista acompanham os desdobramentos da medida e avaliam seus impactos sobre cidadãos, empresas e instituições brasileiras.

Uma das preocupações envolve o alcance internacional de eventuais sanções ou restrições decorrentes da nova classificação. O governo também acompanha discussões relacionadas à chamada Lei Magnitsky, legislação norte-americana utilizada para impor sanções a pessoas acusadas de violações de direitos humanos ou corrupção.

Aliados do governo demonstram preocupação com a possibilidade de o tema voltar ao centro do debate político após relatos de que apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teriam defendido junto a autoridades americanas a retomada de sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

No ano passado, medidas baseadas na legislação americana incluíram restrições financeiras, bloqueio de bens em território dos Estados Unidos e impedimentos para ingresso no país.

O assunto também pode gerar novos desdobramentos no Supremo. Governistas avaliam apresentar informações adicionais ao inquérito que envolve o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, investigado após acusações de articulação internacional para pressionar integrantes da Corte.

A classificação das duas maiores facções criminosas do país como organizações terroristas, caso seja efetivada pelos Estados Unidos, tende a ampliar o debate sobre cooperação internacional no combate ao crime organizado e os limites da atuação de governos estrangeiros em temas considerados sensíveis para a soberania brasileira.