Acordo entre EUA e Irã é esperado para hoje, mas falta confirmação oficial

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(Foto: IA)

Enquanto Trump fala em assinatura iminente, autoridades iranianas afirmam que memorando ainda não está finalizado

Em meio a versões contraditórias e declarações de última hora, Estados Unidos e Irã voltaram a alimentar, neste sábado (13), a expectativa de um acordo de paz — enquanto autoridades dos dois países divergiam até mesmo sobre quando e como o possível memorando seria assinado.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em publicação na rede social Truth Social que o acordo “está previsto para ser assinado amanhã”, neste domingo (14), e disse que o Estreito de Ormuz seria reaberto imediatamente após a assinatura. Ele também declarou que espera uma transição “rápida, fácil e tranquila”, mas advertiu que, caso o processo não avance, há uma “alternativa definitiva”.

Apesar do tom otimista da Casa Branca, a versão não é consenso entre as partes envolvidas. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador nas negociações, afirmou que os dois lados estão “mais perto de um acordo de paz do que nunca” e sugeriu que os termos poderiam ser finalizados nas próximas 24 horas.

Já no Irã, a resposta foi de cautela — e contestação. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) negou que haja previsão de assinatura neste domingo e criticou o que chamou de “insistência incomum” de Trump. Em comunicado, o órgão afirmou que o cronograma divulgado pelos EUA seria uma espécie de “teste” para a equipe negociadora iraniana e reforçou que o memorando ainda não foi finalizado.

Na mesma linha, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que a assinatura “não acontecerá amanhã”, segundo a agência semioficial Tasnim. Ainda assim, ele não descartou avanços rápidos: “A possibilidade de isso acontecer nos próximos dias não está descartada”, disse, acrescentando que é preciso cautela diante da instabilidade das declarações do outro lado.

Termos em disputa

Embora não haja confirmação oficial do conteúdo final do acordo, diferentes veículos internacionais relataram versões baseadas em fontes dos dois governos. Entre os pontos citados estariam:

  • cessar-fogo de 60 dias em diferentes frentes do conflito;
  • reabertura do Estreito de Ormuz e redução de taxas de navegação;
  • flexibilização gradual de sanções econômicas ao Irã;
  • compromisso iraniano de não desenvolver arma nuclear;
  • possível desmobilização de atividades nucleares, segundo fontes norte-americanas.

A imprensa iraniana, por outro lado, afirma que o país não pretende abrir mão do controle do Estreito de Ormuz nem do direito de enriquecer urânio, além de defender a suspensão das sanções e a retirada de forças militares dos Estados Unidos da região.

Sinais de avanço e incerteza

A tensão entre versões contraditórias marcou toda a semana. Na quinta-feira (11), Trump chegou a afirmar que havia consenso sobre “pontos finais” do acordo e que um entendimento definitivo poderia ser assinado no fim de semana. Horas depois, autoridades iranianas negaram a existência de um texto finalizado.

Apesar disso, o chanceler iraniano teria reconhecido que um acordo “nunca esteve tão próximo”, o que alimentou especulações sobre um possível desfecho rápido das negociações.

Trump também voltou a endurecer o discurso ao criticar a divulgação de informações pela imprensa norte-americana e acusar autoridades iranianas de falta de boa-fé nas tratativas. Mais tarde, porém, compartilhou declarações do governo do Irã indicando abertura para um entendimento.

Mediação e próximos passos

O Paquistão tem desempenhado papel central na tentativa de aproximação entre os dois países. Shehbaz Sharif afirmou que uma assinatura eletrônica pode ocorrer em até 24 horas, seguida por novas rodadas técnicas na próxima semana.

Segundo ele, o possível acordo representaria uma base para “paz duradoura” no Oriente Médio, embora ainda dependa de ajustes finais entre Washington e Teerã.

Enquanto isso, tanto EUA quanto Irã seguem evitando confirmar oficialmente o texto final do memorando — mantendo o cenário de incerteza em torno de uma das negociações mais sensíveis da atual conjuntura internacional.