Economistas esperam terceira redução consecutiva da taxa básica de juros, mas avaliam que Banco Central deve interromper ciclo de cortes diante da inflação e das incertezas externas
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia nesta quarta-feira (17) a nova taxa básica de juros da economia brasileira. A expectativa predominante entre economistas é de uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente em 14,50% ao ano. Caso o movimento se confirme, especialistas avaliam que este deverá ser o último corte de juros em 2026, diante do avanço da inflação e do cenário internacional mais incerto.
A reunião ocorre em um contexto de aumento das pressões inflacionárias e de instabilidade provocada por conflitos geopolíticos. Na avaliação de analistas, esses fatores devem levar o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa nos próximos meses, interrompendo o ciclo de flexibilização da política monetária após a decisão desta semana.
Na última reunião do Copom, realizada em abril, a Selic foi reduzida de 14,75% para 14,50% ao ano, repetindo um corte de 0,25 ponto percentual iniciado no encontro anterior. A decisão foi tomada em meio às tensões entre Estados Unidos e Irã, que elevaram as incertezas no mercado internacional.
Além do cenário doméstico, a definição da taxa de juros nos Estados Unidos também está no radar dos investidores. O Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, também divulga nesta quarta-feira sua decisão sobre os juros, na primeira reunião conduzida pelo novo presidente da instituição, Kevin Warsh, que assumiu o comando após a saída de Jerome Powell.
O mercado financeiro acompanha de perto o resultado da reunião do Fed. Embora parte dos analistas tenha passado a considerar uma eventual alta dos juros norte-americanos nas últimas semanas, a perspectiva de um acordo entre Estados Unidos e Irã reduziu essa expectativa e fortaleceu as apostas de manutenção da taxa.
O que é a Selic?
A Selic é a taxa básica de juros da economia e o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Quando a Selic cai, o crédito tende a ficar mais barato, favorecendo financiamentos, empréstimos e o consumo, o que pode estimular a atividade econômica. Já quando os juros sobem, o custo do crédito aumenta, reduzindo o consumo e ajudando a conter a inflação. Apesar disso, os juros cobrados pelos bancos também dependem de fatores como inadimplência, custos operacionais e margem de lucro.
Trajetória recente dos juros
Após permanecer em 13,75% ao ano entre agosto de 2022 e junho de 2023, a Selic entrou em um ciclo de cortes, acumulando seis reduções consecutivas de 0,5 ponto percentual e uma de 0,25 ponto, até atingir 10,50% em maio de 2024.
A taxa permaneceu nesse nível até setembro daquele ano, quando o Copom voltou a elevar os juros. Foram sete aumentos consecutivos, levando a Selic a 15% ao ano, o maior patamar desde 2006.
Em março deste ano, o Banco Central iniciou um novo ciclo de redução, com um corte de 0,25 ponto percentual, para 14,75%. Em abril, repetiu o movimento, fixando a taxa em 14,50% ao ano. Agora, o mercado aguarda a decisão desta quarta-feira para saber se o BC promoverá uma nova redução e se indicará uma pausa no processo de queda dos juros.





















