Cartão de crédito é a principal modalidade de dívida, enquanto carnês e financiamento de veículos aparecem na sequência
Mais de sete em cada dez famílias de Campo Grande conviviam com algum tipo de dívida em maio, segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O levantamento mostra que 72,3% dos lares da Capital tinham parcelas ou financiamentos em andamento, índice que apresenta leve alta em relação a abril e crescimento de 10% na comparação com o mesmo período do ano passado.
A pesquisa considera compromissos financeiros como cartão de crédito, cheque pré-datado, carnês de lojas, empréstimos pessoais, financiamentos de veículos e seguros. Os resultados indicam que o comprometimento da renda continua elevado e afeta consumidores de diferentes faixas salariais.
Apesar de o endividamento estar presente em todas as camadas da população, a intensidade do problema é maior entre as famílias de menor renda. Entre os lares com rendimento de até dez salários mínimos, 18,6% dos entrevistados afirmaram estar muito endividados. Já entre aqueles com renda superior a esse patamar, esse percentual cai para 7,1%.
Segundo a economista do Instituto de Pesquisa da Fecomércio-MS, Regiane Dedé de Oliveira, a inadimplência pesa com mais força sobre os consumidores de menor poder aquisitivo, que têm menos capacidade de absorver despesas extras e manter os compromissos financeiros diante dos gastos do cotidiano.
O estudo também revela diferenças no perfil das dívidas conforme a renda familiar. Em todas as faixas pesquisadas, o cartão de crédito aparece como a principal modalidade de endividamento, cenário que, segundo especialistas, exige atenção devido às elevadas taxas de juros cobradas em caso de atraso no pagamento da fatura.
Entre as famílias que recebem até dez salários mínimos, os carnês de lojas ocupam a segunda posição entre as principais fontes de dívida, sendo citados por 19,8% dos entrevistados. Já nos lares com renda superior a esse valor, o financiamento de veículos aparece como o segundo maior responsável pelo comprometimento financeiro, mencionado por 27,9% dos participantes da pesquisa.
Os dados da PEIC reforçam o cenário de pressão sobre o orçamento das famílias campo-grandenses e indicam que, embora o acesso ao crédito continue presente em diferentes perfis de renda, o impacto do endividamento e da inadimplência é mais severo entre os consumidores de menor poder aquisitivo.











