Oposição volta a cobrar CPI do Banco Master após operação da PF contra Jaques Wagner

29
Pedidos de criação de CPI já estavam no STF antes de operação contra Jaques Wagner (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Senadores defendem abertura da comissão para investigar suposto favorecimento ao banco; líder do governo nega irregularidades

Uma nova fase da investigação sobre o Banco Master reacendeu no Senado a pressão da oposição pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O movimento ganhou força após a operação da Polícia Federal que teve como alvo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), investigado por suposto favorecimento à instituição financeira.

A nona fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (18) para apurar suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros relacionados ao Banco Master. Durante a ação, agentes apreenderam o equivalente a R$ 253 mil em notas de dólar em um quarto de hotel em Brasília vinculado ao senador.

Segundo as investigações, o dinheiro seria parte de pagamentos destinados ao parlamentar em troca de atuação no Congresso em benefício de interesses do Banco Master. Jaques Wagner nega qualquer irregularidade e afirmou que os valores apreendidos correspondem a diárias de viagens oficiais custeadas pelo Senado.

Após a operação, o líder da oposição no Congresso, senador Izalci Lucas (PL-DF), voltou a defender a criação da CPI para investigar o caso.

Segundo o parlamentar, o Senado precisa aprofundar as apurações e esclarecer possíveis favorecimentos relacionados ao banco.

“O Senado não pode ser conivente com essa rede de favorecimentos. O Parlamento tem o dever moral de instalar imediatamente a CPI do Master para desmascarar esse sistema”, afirmou.

Apesar de ser alvo da investigação, Jaques Wagner declarou que assinou o requerimento de criação da comissão para demonstrar que não teme o avanço das investigações.

“Eu assinei a CPI do Banco Master. Não sei o que ela poderia acrescentar, porque as investigações já foram longe e, do meu ponto de vista, está tudo exposto, mas fiz questão de assinar para não parecer que eu tivesse qualquer preocupação”, disse o senador.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE), outro defensor da comissão, afirmou que não acredita na instalação da CPI por decisão da presidência do Senado. Por isso, segundo ele, o pedido foi levado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de dois mandados de segurança, distribuídos aos ministros Nunes Marques e André Mendonça.

De acordo com Girão, os desdobramentos da operação da Polícia Federal podem reforçar o pedido de abertura da comissão. O parlamentar citou como precedente a decisão do STF que determinou a instalação da CPI da Covid durante a pandemia.

Além dos senadores, deputados da oposição também cobraram o acompanhamento das investigações. O deputado Sanderson (PL-RS) afirmou que o Congresso deve monitorar de perto o andamento das apurações envolvendo o Banco Master e os fatos revelados pela Polícia Federal.

A criação da CPI ainda depende de decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ou de eventual determinação do Supremo Tribunal Federal. Enquanto isso, as investigações da Polícia Federal seguem em andamento para esclarecer a suspeita de favorecimento ao Banco Master no âmbito do Congresso Nacional.