Levantamento da Aprosoja/MS aponta início mais lento que o registrado no ano passado; previsão de novas chuvas pode manter ritmo reduzido
A colheita do milho segunda safra em Mato Grosso do Sul começou em ritmo mais lento do que o registrado no ano passado. Levantamento divulgado pelo Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio (Siga) mostra que, até a terceira semana de junho, apenas 0,2% da área cultivada havia sido colhida, reflexo das chuvas frequentes que dificultaram a entrada das máquinas nas lavouras.
O percentual representa um atraso de 4,1 pontos percentuais em comparação com o mesmo período da safra 2024/2025, segundo dados da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), responsável pelo monitoramento das áreas agrícolas em parceria com o Governo do Estado.
Apesar da lentidão no início dos trabalhos, a entidade destaca que esse cenário não foge totalmente do comportamento esperado para a cultura do milho. Historicamente, a maior parte da colheita ocorre apenas a partir da segunda quinzena de julho, com pico das atividades entre o fim de julho e o começo de setembro.
De acordo com o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, o excesso de chuva registrado nas últimas semanas é o principal fator responsável pelo atraso. Ele explica que, embora o milho tenha uma janela de colheita mais extensa do que a soja, as condições climáticas exigem planejamento para evitar perdas de produtividade e qualidade dos grãos.
A orientação aos produtores é acompanhar diariamente as condições das lavouras e aproveitar os períodos de tempo firme para intensificar a colheita. A previsão meteorológica indica que a instabilidade deve continuar nas próximas semanas, com possibilidade de chuvas irregulares, ventos fortes e até queda de granizo em algumas regiões do Estado.
O boletim também aponta diferenças no desenvolvimento das lavouras entre as regiões sul-mato-grossenses. As melhores condições são observadas nas regiões nordeste, norte e oeste, onde entre 79% e 92% das áreas são classificadas como boas.
Já nas regiões sudoeste, sudeste, sul, sul-fronteira e centro, o cenário inspira maior atenção. Nessas localidades, as áreas consideradas em condições ruins chegam a representar 24% das plantações, enquanto as lavouras avaliadas como regulares variam entre 16% e 31%.
A previsão climática para o período entre 22 de junho e 8 de julho reforça a possibilidade de continuidade do ritmo lento da colheita. A expectativa é de acumulados de chuva entre 10 e 50 milímetros nas regiões centro-sul, sudeste e nordeste de Mato Grosso do Sul, o que pode manter as dificuldades para o avanço das máquinas no campo.
Além do panorama da safra, o levantamento também traz informações sobre o mercado agrícola no Estado. A saca da soja é comercializada, em média, por R$ 112,43, enquanto o milho registra cotação média de R$ 47,92 por saca.





















