Quatro em cada dez brasileiros nunca ouviram falar em economia circular, aponta pesquisa

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(Foto: Matheus Lemos/Ascom Inema)

Levantamento mostra que apenas 12% afirmam conhecer bem o conceito, embora 74% estejam dispostos a mudar hábitos para reduzir resíduos

Quase quatro em cada dez brasileiros ainda desconhecem o conceito de economia circular, apesar do avanço do debate sobre sustentabilidade no país. É o que aponta uma pesquisa divulgada pelo Movimento Plástico Transforma, que também revela que a maioria da população está disposta a mudar hábitos de consumo para reduzir a geração de resíduos, mas ainda conhece pouco sobre o tema.

O levantamento “Reciclagem no Brasil: Hábitos, Desafios e Percepções da População”, realizado pelo Instituto QualiBest, mostra que 39% dos entrevistados nunca ouviram falar em economia circular. Outros 45% afirmaram já ter escutado o termo, mas sem conhecer seus detalhes, enquanto apenas 12% disseram dominar o assunto.

A economia circular é um modelo de produção e consumo baseado no reaproveitamento de materiais e recursos. Diferentemente do sistema linear, em que produtos são fabricados, utilizados e descartados, a proposta busca reutilizar, recuperar e reinserir materiais na cadeia produtiva, reduzindo desperdícios e impactos ambientais.

Segundo Beatriz Geraldes, integrante do grupo técnico do Movimento Plástico Transforma, ampliar o conhecimento sobre o tema é um dos principais desafios.

Ela defende que escolas, governos, empresas e organizações sociais desenvolvam ações de educação ambiental, principalmente voltadas para crianças e adolescentes, considerados importantes multiplicadores de informação dentro das famílias e comunidades.

A pesquisa ouviu 834 brasileiros com 18 anos ou mais, entre os dias 30 de abril e 8 de maio de 2026, e comparou os resultados com a primeira edição do estudo, realizada em 2025.

Os dados mostram que 74% dos entrevistados afirmam estar dispostos a mudar hábitos de consumo para produzir menos resíduos. Outros 3% disseram que talvez façam mudanças, enquanto 23% afirmaram não ter interesse em alterar o comportamento.

Quando o assunto é responsabilidade pela reciclagem, a maioria considera que o compromisso deve ser compartilhado. Para 78%, a população tem papel central nesse processo. O governo foi citado por 63% dos entrevistados e as empresas por 55%.

Na comparação com o levantamento anterior, aumentou a cobrança sobre todos esses setores. A responsabilidade atribuída à população cresceu três pontos percentuais, enquanto a expectativa sobre a atuação do governo e das empresas subiu quatro e seis pontos, respectivamente.

As escolas também aparecem como agentes importantes para 35% dos entrevistados. Já 30% atribuem responsabilidade às organizações não governamentais (ONGs), e 3% citaram outros segmentos.

O estudo também investigou os hábitos relacionados à logística reversa, sistema em que produtos são devolvidos aos fabricantes para reaproveitamento ou reciclagem. Nesse caso, 42% dos brasileiros disseram já ter devolvido algum produto ao menos uma vez, sendo que 14% realizam essa prática com frequência.

Em relação à coleta seletiva, 55% afirmaram ter acesso ao serviço em casa ou nas proximidades. Entre aqueles que separam os resíduos, mas não os levam aos pontos de coleta, 63% entregam recicláveis e lixo orgânico juntos ao caminhão de coleta, enquanto **36% fazem a entrega separadamente aos catadores.

A pesquisa também aponta elevado nível de confiança na reciclagem. Mais da metade dos entrevistados (54%) acredita que os resíduos separados realmente são reciclados, enquanto apenas 6% demonstraram não confiar no processo.

Para a gerente de pesquisas do Instituto QualiBest, Marlene Treuk, os resultados indicam que, embora ainda seja necessário ampliar o conhecimento sobre economia circular, a população já demonstra maior consciência ambiental e disposição para adotar práticas mais sustentáveis no dia a dia.