Câmara Municipal reforça que troca de dono do Guaicurus só vale se vier com melhorias reais

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Foto: CMCG

A possibilidade de venda do Consórcio Guaicurus para a HP Mobilidade, de Goiás, representa um novo passo no processo iniciado pela CPI do Transporte Coletivo, instalada pela Câmara Municipal no começo de 2025 — mas não basta por si só para resolver os problemas históricos do serviço. A avaliação é dos vereadores, que reforçam: só aceitarão a mudança se vier acompanhada de benefícios concretos para a população.

A venda do coletivo de empresas de viação foi anunicada publicamente pela prefeita Adriane Lopes (PP) na terça‑feira (21) em coletiva de imprensa. No entanto, afirmou que só será autorizada pela Prefeitura se vier acompanhada de um plano robusto de melhorias imediatas.

A negociação entre os grupos privados foi comunicada oficialmente ao município pela manhã, mas não tem validade sem o aval do poder público — já que o serviço funciona sob regime de concessão.

Contexto: da CPI à intervenção e à venda

Após mais de 50 horas de oitivas e análise de documentos, o relatório final da CPI — presidida pelo vereador Dr. Lívio, com relatoria de Ana Portela e membros Luiza Ribeiro, Junior Coringa e Maicon Nogueira — apontou sucessivos descumprimentos contratuais na renovação de frota, manutenção e qualidade da operação.

As recomendações foram:

  • Substituição imediata de 197 ônibus;
  • Intervenção no Consórcio;
  • Possibilidade de caducidade da concessão.

Foi com base nessas conclusões que a prefeita Adriane Lopes decretou a intervenção municipal e agora condiciona seu aval à venda: “Não há como recepcionar uma empresa de fora sem propor mudanças. Precisamos que o contrato seja cumprido, com ônibus novo, ar‑condicionado e reforma dos terminais. Queremos que seja concretizado o que, historicamente, não vem sendo cumprido em Campo Grande”, destacou na coletiva de imprensa.

Ainda segundo afirmou, “não adianta trocar de donos e continuar com transporte de má qualidade, como acontece há 20 anos. Só será aceito se vier ao encontro das necessidades da população”.

Ela explicou que a própria negociação surgiu no contexto da intervenção: “Observado o descumprimento do contrato, poderia ser decretada a caducidade com nova licitação, ou até a comercialização da empresa durante esse processo — que foi o que ocorreu.”

O que dizem os vereadores

Dr. Lívio (presidente da CPI e da Comissão de Transporte): “O que importa não é quem opera, mas garantir um transporte digno, eficiente, seguro e compatível com a importância de Campo Grande.”

Epaminondas Neto, o Papy (presidente da Câmara): “A Câmara teve coragem de enfrentar esse problema histórico, apresentou soluções e fortaleceu as medidas adotadas pelo Executivo. Agora vamos fiscalizar para que a mudança não fique só no papel.”

Próximas etapas

A intervenção administrativa segue em andamento. A Prefeitura só aprovará a transferência após análise detalhada de um plano robusto de reestruturação.

O Legislativo manterá acompanhamento permanente de todas as etapas, cobrando renovação de frota, modernização, terminais adequados e cumprimento integral do contrato.

Enquanto isso, tarifas, linhas e horários permanecem inalterados, com circulação garantida.