Faixa de totalidade passará por Espanha, Portugal, Islândia e Groenlândia; duração máxima será de pouco mais de dois minutos
Marcado para o dia 12 de agosto, o eclipse solar que cruzará parte da Europa, do norte da África e do Atlântico Norte promete atrair milhares de observadores. Mas o espetáculo astronômico também exige cuidados para evitar lesões graves nos olhos. Especialistas alertam que observar o Sol diretamente, mesmo durante um eclipse parcial, pode causar danos irreversíveis à retina.
O eclipse será total apenas em uma estreita faixa que atravessa regiões da Groenlândia, Islândia, Espanha, Portugal e parte do norte da Rússia. Em boa parte da Europa e do norte da África, o fenômeno será parcial. No Brasil, o eclipse não poderá ser observado, nem mesmo parcialmente.
O fenômeno acontece quando a Lua se posiciona entre a Terra e o Sol, bloqueando total ou parcialmente a luz solar e projetando sua sombra sobre o planeta. Nas áreas localizadas na chamada faixa de totalidade, o dia se transformará em noite por pouco mais de dois minutos.
Proteção é indispensável
Especialistas reforçam que a observação do eclipse deve ser feita exclusivamente com óculos certificados para esse tipo de fenômeno, desenvolvidos para bloquear praticamente toda a radiação emitida pelo Sol.
Segundo o astrofísico Pedro Machado, comissário nacional para o Eclipse do Sol 2026 em Portugal, a proteção deve permanecer durante toda a observação. “Se olhar para o Sol, tem de usar os óculos o tempo todo”, orientou o pesquisador.
A recomendação também vale para quem pretende fotografar ou observar o eclipse com câmeras, binóculos ou telescópios. Esses equipamentos precisam estar equipados com filtros solares específicos instalados na parte frontal das lentes.
Sem essa proteção, a concentração da luz solar pode provocar queimaduras na retina em poucos segundos, além de danificar permanentemente os aparelhos.
Os especialistas ainda alertam que óculos escuros comuns, chapas de raio X, películas improvisadas, CDs, DVDs, vidros fumê ou qualquer outro material caseiro não protegem contra a radiação solar.
Observação deve ser feita com pausas
Mesmo utilizando filtros certificados, a orientação é evitar permanecer olhando continuamente para o Sol. O ideal é alternar pequenos períodos de observação com intervalos.
A única exceção ocorre nas localidades onde o eclipse será totalmente visível. Nesses pontos, é seguro retirar os óculos apenas durante a fase de totalidade, quando a Lua cobre completamente o disco solar. Assim que a luz do Sol voltar a aparecer, a proteção deve ser recolocada imediatamente.
Curiosidades sobre o eclipse
O eclipse de 12 de agosto reserva algumas características que chamam a atenção dos astrônomos.
Apesar de o Sol ser cerca de 400 vezes maior que a Lua, os dois parecem ter praticamente o mesmo tamanho quando vistos da Terra. Essa coincidência ocorre porque o Sol também está aproximadamente 400 vezes mais distante do planeta, permitindo que a Lua cubra completamente o disco solar durante alguns minutos.
A duração máxima prevista para a totalidade será de cerca de 2 minutos e 18 segundos, embora em muitas cidades esse tempo seja menor. Quanto mais próximo do centro da faixa de totalidade estiver o observador, maior será o período em que o Sol permanecerá totalmente encoberto.
Na Espanha, um dos principais destinos para acompanhar o fenômeno, o eclipse acontecerá próximo ao pôr do sol. Por isso, além de céu aberto, será necessário encontrar locais com o horizonte totalmente livre de montanhas, edifícios ou outros obstáculos.
Espanha e Portugal entram na rota dos eclipses
O eclipse de agosto de 2026 será o primeiro de uma sequência rara de grandes fenômenos astronômicos na Península Ibérica.
Em agosto de 2027, outra faixa de eclipse solar total cruzará partes da Espanha. Já em janeiro de 2028, o país voltará a receber um eclipse solar anular, quando a Lua não cobre completamente o Sol e deixa visível o chamado “anel de fogo”.
Essa sequência tem transformado Espanha e Portugal em destinos procurados por astrônomos, fotógrafos e turistas interessados em acompanhar os fenômenos.
E no Brasil?
Os brasileiros não poderão observar o eclipse solar de 12 de agosto. A alternativa será acompanhar transmissões ao vivo realizadas por observatórios e instituições científicas instaladas nos países que estarão dentro da faixa de visibilidade.
Pouco depois, porém, haverá uma nova oportunidade para os apaixonados por astronomia. Entre a noite de 27 e 28 de agosto, um eclipse lunar parcial poderá ser visto em todo o território brasileiro, desde que as condições do tempo permitam a observação.





















