De funk a rocknejo: candidatos à Presidência já começam a embalar campanha de 2026

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(Foto: Redes sociais)

Pré-candidatos apostam em ritmos populares para reforçar mensagens e conquistar diferentes públicos

A disputa pela Presidência da República ganhou trilha sonora antes mesmo do início oficial da campanha. Pré-candidatos de diferentes correntes políticas já começaram a divulgar jingles nas redes sociais e em eventos partidários, usando ritmos populares para apresentar suas imagens, reforçar mensagens políticas e tentar criar identificação com diferentes públicos.

A campanha eleitoral começa oficialmente em 16 de agosto. Entre os nomes mais bem posicionados na pesquisa Genial/Quaest divulgada em 5 de agosto, quatro já apresentaram músicas que podem ser usadas como peças principais de suas campanhas: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD). Romeu Zema (Novo), também testado no levantamento, ainda não havia divulgado um jingle, segundo sua equipe. A pesquisa apontou Lula com 39%, Flávio com 30%, Caiado e Renan com 4% cada e Zema com 2% no principal cenário de primeiro turno.

A estratégia não é nova nas eleições brasileiras. Os candidatos costumam lançar diferentes músicas durante a campanha e, posteriormente, concentrar esforços nas faixas que apresentam maior potencial de identificação com o eleitorado.

Lula aposta em releitura de funk

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu uma releitura de um clássico do funk dos anos 1990 para embalar sua campanha à reeleição.

Divulgada nas redes sociais em julho, a música utiliza uma nova letra para associar a trajetória política do presidente ao sobrenome Silva e à identidade do PT. O videoclipe reúne imagens de diferentes momentos da vida de Lula, desde sua infância no Nordeste até episódios de sua carreira política.

A escolha do gênero também busca aproximar a campanha de públicos mais jovens e das periferias urbanas. A música combina referências à trajetória pessoal do presidente com mensagens relacionadas a trabalho, família e resistência política.

Flávio Bolsonaro investe no sertanejo e na fé

Flávio Bolsonaro, candidato do PL, apresentou diferentes peças musicais durante a pré-campanha, mas uma das principais apostas utiliza elementos do sertanejo universitário combinados com uma introdução inspirada no chamado worship.

A faixa aposta menos em ataques diretos aos adversários e mais em uma mensagem emocional baseada em fé, esperança e confiança no futuro.

O vídeo também utiliza imagens do senador ao lado de aliados políticos e da família Bolsonaro, além de símbolos religiosos e referências à identidade nacional.

A estratégia aproxima a música de temas frequentemente utilizados pelo campo político ao qual Flávio está associado e busca construir uma imagem positiva e emocional do candidato.

Renan Santos mistura rock e sertanejo

O candidato do Missão, Renan Santos, levou para sua campanha uma combinação pouco convencional: rock com elementos do sertanejo.

Apresentado durante a convenção que confirmou sua candidatura, o jingle foi concebido como uma resposta simbólica à tradição musical das campanhas petistas e utiliza referências à disputa entre diferentes símbolos políticos.

A música também incorpora elementos de esperança e confronto. O videoclipe apresentado na convenção foi produzido com recursos de inteligência artificial e utiliza estética inspirada em mangás e animes.

Segundo a equipe de campanha, a mistura de gêneros procura dialogar tanto com a trajetória de Renan, ligado ao rock, quanto com o público associado ao agronegócio e ao sertanejo.

Caiado aposta no pop e na segurança

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, apresentou um jingle de sonoridade pop durante a convenção nacional do PSD que oficializou sua candidatura.

A música concentra a mensagem no próprio candidato e repete seu nome ao longo do refrão, uma estratégia tradicional de marketing eleitoral para facilitar a memorização pelo eleitor.

A segurança pública ocupa espaço importante na letra, com referências ao combate à criminalidade, enquanto também aparecem menções a saúde e gestão pública.

A escolha do pop, segundo a equipe de campanha, busca tornar a música acessível a diferentes regiões do país.

E Zema?

Entre os cinco nomes considerados no recorte da pesquisa Quaest, Romeu Zema é o único que ainda não apresentou um jingle de campanha, conforme informado por sua equipe.

A ausência, porém, não significa que a música ficará fora da estratégia eleitoral. Durante uma campanha, candidatos podem lançar diferentes peças e substituir ou adaptar os jingles conforme o andamento da disputa.

Música como ferramenta eleitoral

Os primeiros jingles de 2026 mostram estratégias diferentes para um mesmo objetivo: transformar o candidato e suas principais mensagens em uma peça fácil de reconhecer e compartilhar.

Funk, sertanejo, rock e pop aparecem como escolhas para alcançar públicos distintos. Além do ritmo, os materiais utilizam elementos visuais, símbolos religiosos, referências familiares, bandeiras, imagens de arquivo e, em alguns casos, recursos de inteligência artificial.

Com a aproximação do início oficial da campanha, a tendência é que novos jingles sejam lançados e que as músicas apresentadas nesta fase sejam modificadas para incorporar slogans, números de urna e mensagens específicas da disputa.