Grupo fraudava internações de dependentes em MS; uma pessoa foi flagrada em cárcere

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Foto: PCMS

Deflagrada nessa terça-feira (18), a Operação Cura Terapêutica expôs um esquema criminoso que se aproveitava da vulnerabilidade de dependentes químicos para desviar recursos públicos. Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em cinco cidades do estado, além do bloqueio de bens e valores que somam mais de R$ 1 milhão dos investigados.

A ofensiva foi desencadeada pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), após um trabalho investigativo que durou mais de um ano. Descobriu-se que empresas que pareciam distintas no papel, na verdade, pertenciam ao mesmo grupo e atuavam de forma coordenada para se beneficiar de contratações e decisões judiciais que custeavam internações de dependentes químicos pelo poder público.

Em vez de oferecer tratamento digno, os estabelecimentos funcionavam sem alvarás sanitários, sem equipe técnica mínima e em condições precárias — colocando em risco a saúde de pacientes e lesando os cofres públicos. O caso mais grave veio à tona durante as buscas: as equipes depararam com uma pessoa mantida em cárcere privado.

Grupo fraudava internações de dependentes em MS; uma pessoa foi flagrada em cárcere
Foto: PCMS

Além disso, foram apreendidas três armas de fogo, munições, medicamentos controlados irregulares, cartões bancários em nome de terceiros e documentos. Três pessoas foram autuadas em flagrante por posse irregular de arma, tráfico de drogas, sequestro e cárcere privado. Entre eles está o proprietário de uma clínica em Fátima do Sul, interditada em 2025 após a morte de uma adolescente de 16 anos internada compulsoriamente.

Ainda segundo a apuração, a análise de apenas 66 processos judiciais, referentes a 2023 e 2024, já apontou vantagem econômica superior a R$ 1 milhão obtida com as contratações irregulares. Somam-se a isso movimentações financeiras atípicas entre os envolvidos, que serviam para concentrar e redistribuir valores — reforçando os indícios de lavagem de dinheiro. Ao todo, 13 pessoas físicas e jurídicas são investigadas por organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro.

Os mandados foram cumpridos em Dourados, onde buscas foram realizadas em um condomínio de luxo, Fátima do Sul, Deodápolis, Glória de Dourados e Ponta Porã. A ação reuniu 36 agentes e contou com a participação de Defensoria Pública, Vigilância Sanitária e Conselho Regional de Farmácia, dentro da estratégia nacional de combate a organizações criminosas.

O nome da operação faz referência ao papel saneador do Estado diante de uma estrutura que, em vez de cuidar, explorava pessoas vulneráveis e desviava recursos destinados à saúde. As investigações prosseguem para aprofundar a participação de cada um e identificar a totalidade dos bens e valores envolvidos.