Medida protetiva revogada e ciúme por celular: a morte de Joseane; autor já está preso!

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Joseane Oliveira Nunes (Foto: Reprodução)

A revogação de uma medida protetiva, solicitada pela própria Joseane Oliveira Nunes, de 33 anos, há cerca de três dias, abriu caminho para que fosse morta dentro de sua casa, com golpes de foice e martelo. O autor, Lourival da Cruz Neto, o “Bola”, foi preso durante a manhã desta quinta-feira (20) em fuga, já na cidade de Jaraguari, após ter sido rastreado por meio de informações levantadas na Ceasa e com parentes no interior.

O que teria desencadeado a violência, segundo relatos de amigos à imprensa e também para a investigação do caso, foi algo aparentemente simples: na noite de quarta-feira (19), horas antes do crime, o autor teria tomado o celular de Joseane, olhado o conteúdo por alguns minutos, jogado o aparelho no colo dela e saído sem dizer nada. Horas depois, a mulher foi encontrada sem vida na residência.

O risco que voltou para casa

Joseane, no dia 11 de julho, registrou uma ocorrência por violência doméstica e solicitou medida protetiva para se afastar de Lourival. Mesmo obtendo a decisão judicial, no dia 16, manifestou desejo de retirar a proteção, e a medida foi revogada. A partir disso, o casal voltou a morar junto em um imóvel na Rua Luiz Hilário Campos Leite, no Bairro Cristo Redentor. No dia 19, houve o episódio envolvendo o celular e acabou morta com golpes na cabeça, pescoço e nuca.

Amigos e familiares revelam que o histórico de agressões era antigo. Joseane já havia sido internada na Santa Casa em decorrência de espancamentos e chegou a perder um bebê em razão da violência. Lourival também já respondia por tentativa de homicídio contra um vizinho, em episódio motivado por discussão sobre aposta em partida de sinuca, o que demonstra um padrão de reação desproporcional e perigoso.

Fuga e captura

Após o crime, o autor fugiu em uma bicicleta azul, deixando para trás o martelo ensanguentado com fios de cabelo da vítima e o próprio celular, que havia caído no chão. As buscas começaram imediatamente. A pista decisiva veio quando policiais do 9º BPM descobriram que ele costumava trabalhar na Ceasa e possuía parentes em Jaraguari. A informação levou equipes da Polícia Civil até o Posto Campeão, naquela cidade, onde foi detido sem resistência.

Agora, está sendo encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande para prestar depoimento e ficará à disposição da Justiça. O caso é investigado como feminicídio, aliás, é o 22º registrado em Mato Grosso do Sul neste ano. Joseane deixou três filhos, com idades entre 11 e 17 anos, e havia sido aprovada em um novo emprego, que começaria justamente na manhã desta quinta-feira.