Denúncia de vereadora levou PF a investigar R$ 1,2 milhão do IMPCG; vice-prefeita foi alvo de buscas

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Foto: PF/Divulgação

A Operação Presciência, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (25), teve origem em denúncia protocolada pela vereadora Luiza Ribeiro (PT) em 6 de julho de 2026.

A parlamentar levou à Superintendência Regional da PF documentos, atas e informações, alertando para riscos no investimento de R$ 1,2 milhão do Instituto Municipal de Previdência (IMPCG) em Letras Financeiras do Banco Master, além de questionamentos sobre credenciamento e possíveis favorecimentos em operações de empréstimo consignado.

Conselheiros já alertavam sobre risco

Nos documentos apresentados pela vereadora, trechos de ata de reunião do Conselho Deliberativo do IMPCG mostram que conselheiros já haviam questionado a segurança do investimento e defendido aplicação em instituições mais sólidas.

Mesmo com as ressalvas, o recurso foi aplicado no banco privado em abril de 2024. Quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master em novembro de 2025, o dinheiro ficou retido — até ser recuperado pelo município em março de 2026 por meio de ação judicial, evitando prejuízo aos cofres.

Vice-prefeita é alvo de mandado de busca

Entre os seis mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF, está a residência e o gabinete da vice-prefeita Camilla Nascimento, atual secretária de Assistência Social e presidente do IMPCG de agosto de 2017 a 2024, período em que se deu a aplicação.

A investigação apura, em tese, gestão temerária, corrupção passiva e corrupção ativa. A Justiça Federal também determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

Recuperação não encerra a apuração

A Prefeitura afirma ter recuperado o valor integralmente e diz que as aplicações seguem a legislação. No entanto, a devolução do dinheiro não afasta a investigação sobre as circunstâncias e os procedimentos adotados para arriscar recursos previdenciários em instituição depois alertada como menos segura.

Em um material distribuído pela assessoria, a vereadora Luiza Ribeiro reforçou a importância da pauta. “Estamos falando do dinheiro que garante a aposentadoria e a pensão de milhares de trabalhadores. Queremos que os fatos sejam esclarecidos e que, havendo responsáveis, respondam por seus atos”.

Veja a nota oficial da Prefeitura de Campo Grande:

“A Prefeitura Municipal acompanha as investigações conduzidas pela Polícia Federal envolvendo o IMPCG (Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande) e a SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social), ressaltando que o procedimento faz parte de um contexto de apurações que ocorre em todo o país.

Bem como, reafirma que Campo Grande foi uma das primeiras cidades do Brasil a garantir o ressarcimento de valores aplicados juntos à instituição financeira investigada, evitando qualquer prejuízo aos cofres públicos.

As aplicações financeiras do IMPCG são executadas em estrita conformidade com a Resolução CMN n. 4.963, de 25 de novembro de 2021, que disciplina os investimentos dos Regimes Próprios de Previdência Social da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, bem como de acordo com a Política Anual de Investimentos aprovada pelo Conselho Deliberativo do IMPCG ao final de cada exercício.

O investimento em questão, realizado em abril de 2024, tratou-se da aquisição de Letra Financeira cujo resgate ocorreria exclusivamente na data de vencimento, prevista para abril de 2029. O anúncio da liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pelo Banco Central em novembro de 2025, acarretou na antecipação do vencimento da Letra Financeira, configurando em crédito líquido e certo.

Diante disso, à época, o IMPCG prontamente ajuizou ação de compensação de créditos, com pedido de tutela provisória de urgência, perante a 3ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos, conseguindo decisão favorável, sendo determinado depósito judicial do valor aplicado, devidamente atualizado, bem como que a instituição financeira se abstivesse de realizar cobranças, promover negativações ou adotar quaisquer medidas constritivas relativas a contratos de empréstimo consignado.

A Prefeitura segue prestando todos os esclarecimentos e informações necessárias”.