
Petista terá 5 minutos e 31 segundos, enquanto candidato do PL contará com 4 minutos e 20 segundos no primeiro programa
A estreia dos principais candidatos à Presidência no horário eleitoral gratuito, neste sábado (29), deve transformar rádio e televisão em uma nova frente de confronto direto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Os dois programas vão combinar apresentação de propostas com ataques aos adversários, em uma disputa que coloca trajetória política, segurança pública e casos investigados no centro da campanha.
Lula terá o maior espaço entre os presidenciáveis: 5 minutos e 31 segundos. Flávio Bolsonaro contará com 4 minutos e 20 segundos. Os tempos foram definidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de acordo com a representação dos partidos, federações e coligações na Câmara dos Deputados.
Na primeira propaganda, a campanha de Lula pretende apresentar uma espécie de comparação entre as trajetórias dos dois candidatos. O programa deve percorrer a história do petista, desde a infância até os três mandatos anteriores no Palácio do Planalto, ao mesmo tempo em que fará críticas ao adversário do PL.
Entre os assuntos que devem ser explorados pelos petistas estão suspeitas relacionadas ao chamado esquema de rachadinha e o caso Dark Horse, que envolve conversas de Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
A campanha de Lula também deve destacar temas que vêm sendo usados pelo presidente em atos eleitorais, como defesa da soberania nacional e políticas voltadas às mulheres.
Outro ponto previsto no programa é a defesa do fim da escala de trabalho 6×1, tema que está em discussão no Congresso Nacional e que a campanha petista considera estratégico para dialogar com trabalhadores.
Flávio deve apostar em segurança
Com 4 minutos e 20 segundos de propaganda, Flávio Bolsonaro deverá adotar uma estratégia diferente. O candidato do PL deve concentrar sua estreia na área de segurança pública e utilizar investigações envolvendo pessoas próximas à família de Lula para atacar o presidente.
Um dos alvos será Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. A campanha de Flávio pretende mencionar também Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-integrante do gabinete presidencial.
Os dois aparecem em relatos relacionados à lobista Roberta Luchsinger. O caso ganhou repercussão depois de informações sobre supostos pagamentos e despesas envolvendo Lulinha.
Marcola, por sua vez, afirmou recentemente que um empréstimo pessoal de R$ 249 mil recebido da empresária teve caráter estritamente privado.
Além dos ataques ao adversário, Flávio deverá utilizar o espaço para reforçar o discurso de segurança pública, uma das principais bandeiras da candidatura.
Flávio aparece antes de Lula
No primeiro dia de propaganda presidencial, Flávio Bolsonaro terá uma vantagem na ordem de exibição: o programa do PL será transmitido antes do de Lula.
O sorteio realizado pelo TSE definiu a seguinte sequência para a estreia: Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). A partir dos dias seguintes, haverá rodízio entre as candidaturas.
A propaganda eleitoral gratuita para presidente terá 12 minutos e 30 segundos por bloco. Além de Lula e Flávio, também terão espaço Ronaldo Caiado, com 2 minutos e 2 segundos, e Augusto Cury, com 35 segundos.
O horário eleitoral no rádio e na televisão começou nesta sexta-feira (28), com programas destinados a outros cargos. A propaganda para a Presidência começa neste sábado (29) e será exibida até 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Maior tempo de TV é de Lula
A coligação de Lula, chamada Brasil Pronto pra Mais, reúne PDT, PSB, Federação Brasil da Esperança — formada por PT, PCdoB e PV — e a Federação PSOL/Rede.
A aliança ficou com o maior tempo de propaganda justamente por reunir partidos com forte representação na Câmara. O PL, de Flávio, ficou com a segunda maior fatia.
Além dos programas em bloco, as candidaturas terão inserções distribuídas ao longo da programação das emissoras. A coligação de Lula terá a maior quantidade, seguida pelo PL, PSD e Avante.
A estreia marca, assim, a passagem da campanha presidencial para uma etapa em que os candidatos terão acesso diário a milhões de eleitores pela televisão e pelo rádio. Para Lula e Flávio, os primeiros programas também servirão para definir o tom da disputa e estabelecer quais temas deverão dominar o confronto entre os dois principais grupos políticos que chegam à eleição de 2026.




















