Lula muda estratégia após 1º turno, enquanto Flávio amplia alianças para 2º turno

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Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam no 2º turno em 25 de outubro (Montagem - Ricardo Stuckert/Campanha Lula e Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro)

Petista busca conquistar eleitores fora da base e reforça presença nas redes; candidato do PL avança com apoios de Caiado, Zema, PP e União Brasil

As duas campanhas começaram a reorganizar suas estruturas imediatamente após o resultado. No campo petista, a avaliação é de que a comunicação adotada no primeiro turno não conseguiu alcançar segmentos importantes do eleitorado, principalmente jovens e mulheres, além de não ter sido suficiente para reduzir a abstenção.

Uma das primeiras medidas de Lula foi buscar reforço entre políticos com forte presença nas redes sociais. O presidente se reúne nesta quarta-feira (7), em Brasília, com deputados da esquerda que tiveram votações expressivas e mantêm forte influência no ambiente digital.

Entre os nomes estão Ana Elisa e Pedro Rousseff, do PT de Minas Gerais, além de Erika Hilton e Sâmia Bomfim, do PSOL de São Paulo. Erika Hilton foi reeleita com mais de 1,5 milhão de votos e se tornou a mulher mais votada da história da Câmara dos Deputados. Sâmia também teve votação expressiva, enquanto Ana Elisa se destacou entre os eleitos mais jovens do país.

A intenção do comando petista é transformar essa força eleitoral em capacidade de comunicação direta com públicos que estão fora do núcleo tradicional de apoio ao presidente. A campanha passou a considerar prioritária a atuação nas redes sociais, especialmente entre eleitores jovens.

A mudança ocorre depois de uma avaliação interna de que a mensagem apresentada no primeiro turno ficou excessivamente concentrada em temas institucionais e econômicos e não conseguiu estabelecer uma conexão suficientemente forte com parcelas do eleitorado.

PT quer mudar o tom e buscar votos fora da própria base

A campanha de Lula também prepara uma postura mais agressiva contra Flávio Bolsonaro. Um dos temas que deve ganhar espaço é o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1.

Parlamentares aliados ao governo defendem que a pauta seja utilizada para estabelecer uma diferença clara entre os dois candidatos. A estratégia é apresentar Lula como defensor de uma mudança nas relações de trabalho e associar Flávio a uma posição contrária à redução da jornada.

Outro desafio é alcançar os cerca de 33 milhões de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. A abstenção foi de 21,08% do eleitorado.

O problema identificado pela campanha é que parte das ações de mobilização digital acaba circulando principalmente entre eleitores que já apoiam o presidente. Por isso, o desafio agora é romper a chamada “bolha” petista e levar a mensagem a segmentos que ainda não decidiram o voto ou que não participaram da primeira votação.

A Bahia aparece como um dos focos dessa estratégia. Apesar de Lula ter mantido ampla vantagem no estado, sua votação caiu em relação a 2022. A redução chegou a 208 mil votos, a maior perda absoluta registrada pelo presidente em um estado do Nordeste. Em todo o país, Lula teve quase 3,4 milhões de votos a menos que no primeiro turno de 2022.

A campanha também pretende intensificar entrevistas em rádio, produção de vídeos para as redes e participação de lideranças com maior capacidade de comunicação digital.

Flávio transforma vantagem eleitoral em frente política

Do outro lado, o movimento de Flávio Bolsonaro é diferente. O candidato do PL iniciou o segundo turno tentando ampliar rapidamente sua vantagem nas urnas por meio de uma sequência de declarações de apoio.

Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), que disputaram o primeiro turno, anunciaram apoio ao senador. Caiado confirmou a adesão em Goiânia e afirmou que pretende participar da mobilização pela candidatura de Flávio em Goiás. Zema também declarou voto no candidato do PL.

Na terça-feira (6), a federação formada por União Brasil e PP anunciou oficialmente apoio a Flávio no segundo turno. A decisão amplia o arco partidário em torno do candidato e aproxima sua campanha de setores do chamado centrão.

A estratégia, agora, é transformar essas adesões em estrutura eleitoral nos estados. A campanha pretende aproveitar prefeitos, governadores, deputados e senadores alinhados à direita para ampliar a presença de Flávio em agendas públicas e nas redes sociais.

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, a expectativa é reunir lideranças da direita em atividades de campanha. Uma das possibilidades em discussão é um grande ato na capital no próximo domingo, ainda com detalhes em definição.

Centrão e novos apoios estão no radar

A campanha de Flávio também trabalha para ampliar a aliança para além de PP e União Brasil. O Republicanos é considerado um dos principais alvos das articulações, enquanto o Podemos também aparece entre as siglas que tendem a apoiar o senador.

A lógica da campanha é aproveitar o resultado do primeiro turno para construir uma imagem de candidatura com capacidade de reunir diferentes segmentos da direita, do centro e do setor produtivo.

O agronegócio também entrou nas negociações. A bancada ruralista declarou apoio a Flávio e discute participação na composição de um eventual governo, incluindo a possibilidade de indicar o ministro da Agricultura.

Com isso, as duas campanhas chegam à segunda etapa da eleição partindo de situações distintas. Lula precisa ampliar seu eleitorado e corrigir problemas de comunicação identificados no primeiro turno. Flávio, por sua vez, tenta consolidar a vantagem de 2,2 milhões de votos e transformá-la em uma onda de adesões políticas.

O segundo turno, portanto, começa com uma disputa em duas frentes: enquanto o petista procura convencer quem não votou nele, o candidato do PL trabalha para convencer aliados de que sua liderança nas urnas pode se transformar na formação de uma ampla maioria política.