Agriart Mulher abre espaço para produção rural, economia solidária e cultura

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Projeto de extensão leva mulheres da agricultura familiar e outras produtoras locais para a UFMS de Paranaíba e cria espaço de comercialização, cultura, troca de conhecimentos e aproximação com a comunidade

Hortaliças produzidas nos distritos rurais, artesanato, alimentos e apresentações culturais dividiram espaço na UFMS de Paranaíba durante a edição de setembro da Agriart Mulher – Feira de Economia Solidária. Realizada por meio de um projeto de extensão, a iniciativa reuniu 26 expositores e aproximou da Universidade produtores, moradores dos bairros próximos e a comunidade acadêmica.

Para os coordenadores do projeto, Ana Claudia dos Santos e professor Milton Mariani, a presença expressiva de moradores evidencia que, em Paranaíba, existe carência de espaços de lazer, cultura e socialização e, nesse contexto, a UFMS tem fundamental importância.

Agriart Mulher abre espaço para produção rural, economia solidária e cultura

Mulheres e produção no campo

A criação da Agriart Mulher, conforme os coordenadores, está relacionada à própria formação de Paranaíba como município marcado pela agricultura e pela pecuária. A ocupação da região remonta à década de 1830 e que a disponibilidade de água e a fertilidade do solo favoreceram diferentes cultivos. Atualmente, agricultura, pecuária, produção de cana-de-açúcar e eucalipto e agricultura familiar convivem na economia local.

A participação das mulheres na gestão dos estabelecimentos rurais tem crescido no País. Segundo o Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres estavam à frente de cerca de 19% dos estabelecimentos agropecuários brasileiros em 2017. No levantamento anterior, realizado em 2006, essa participação era de aproximadamente 13%.

Em Paranaíba, é nos distritos rurais de Raimundo, Alto Santana, São João do Aporé e Tamandaré e no assentamento Serra, antiga Fazenda Planalto da Velhacaria, que estão muitas das mulheres que deram origem à proposta da feira. Segundo a professora Ana Cláudia, parte da produção de hortaliças e da agricultura familiar nesses locais é realizada por elas.

“Uma das características da produção na agricultura familiar é que são as mulheres que cuidam das hortaliças e dos pequenos animais” explicam os idealizadores. Entre as dificuldades identificadas pelo projeto estão o deslocamento até a cidade, o transporte e a precificação dos produtos.

A Agriart Mulher busca aproximar essa produção da Universidade. Cerca de 60 mulheres foram convidadas a participar da edição realizada em setembro, que reuniu 26 expositores.

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Da Universidade para os distritos e dos distritos para a Universidade

A aproximação começa antes da realização da feira. Para a construção da proposta foram   realizadas  visitas aos cinco distritos para que professores e estudantes pudessem conhecer os modos de vida e de trabalho das mulheres. Os professores Milton e Ana Claudia explicam que o projeto utiliza a pesquisa-ação, metodologia de investigação colaborativa que combina pesquisa científica e ação prática a partir do conhecimento do território.

O movimento, portanto, acontece nos dois sentidos. Primeiro, a Universidade deixa os limites da unidade para conhecer as comunidades rurais. Depois, abre seu próprio espaço para receber as produtoras e a população. A feira deve promover a troca de conhecimentos e fazer com que a comunidade também se aproprie da Universidade como espaço social e de estabelecimento de relações.

“O espaço da feira também é para o desenvolvimento de conhecimento sobre essa realidade, com professores, pesquisadores e a comunidade, tanto da cidade quanto dos produtores rurais, para troca de conhecimentos e ideias e para a apropriação da Universidade como espaço social”, contam os idealizadores.

Economia solidária, cultura e convivência

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A proposta de aproximar campo, cidade e Universidade também orientou a definição das atividades oferecidas durante a Agriart Mulher. Para os professores, a integração entre agricultura familiar, alimentação, artesanato e manifestações culturais foi construída por meio de reuniões, de trocas de ideias com os estudantes participantes e dos resultados das visitas realizadas.

Na edição de setembro, a feira reuniu comercialização de alimentos e artesanato e apresentações de capoeira, coral, violão, flauta e da Banda Linha de Fuga. “A ideia é que a feira seja também um território de difusão da cultura”, apontam os coordenadores.

A dimensão cultural ajuda a explicar também a presença dos moradores dos bairros próximos à Universidade. A participação da comunidade demonstra a demanda existente em Paranaíba por espaços de lazer, cultura e socialização e reforça o papel que a UFMS pode desempenhar nessa aproximação.

Extensão também transforma a formação

Enquanto produtoras e moradores ocupam os espaços da Universidade, estudantes fazem o caminho inverso e se aproximam da realidade das comunidades rurais. Quatro estudantes bolsistas de extensão e de iniciação científica participaram do processo: Livia Tozzo Pereira, Mariana Cyles Leite da Silva, Luana Rezende Andrade Sousa e Haniel Santos Teixeira. Os professores Ana Claudia Milton associam essa experiência à curricularização da extensão e avaliam que a participação dos estudantes produz impacto positivo para a Universidade.

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Assim, se para as produtoras a proposta cria uma oportunidade de ocupar a Universidade, para os estudantes sair da unidade e conhecer o território também integra o processo formativo.

Parcerias e próximos passos

Para fazer esse movimento entre Universidade, campo e cidade, o projeto depende ainda da articulação de uma rede de parceiros. Participam da iniciativa a Prefeitura Municipal, o Sindicato Rural, a Associação das Artesãs, o Sebrae e a Inovapar, ecossistema de inovação local.

Depois das primeiras experiências, o grupo responsável pela Agriart Mulher ainda avalia as possibilidades de continuidade do projeto. A intenção é realizar mais uma edição da feira em 2026.