Apenas 1,83% dos alertas de desastres por SMS tinham informações completas, aponta estudo

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(Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

Pesquisa analisou 73,7 mil mensagens enviadas entre 2018 e 2023 e identificou falhas em orientações sobre riscos, localização e duração dos eventos

De cada 100 mensagens de alerta sobre desastres enviadas por SMS no Brasil entre 2018 e 2023, menos de duas reuniam todas as informações consideradas essenciais para orientar a população diante de uma situação de risco. A conclusão é de um estudo que analisou 73.701 mensagens distribuídas por órgãos de proteção e defesa civil e identificou falhas na comunicação de situações de emergência.

A pesquisa, intitulada Mensagens de alerta de desastres: desafios e oportunidades com base na experiência do Brasil, foi realizada pelos pesquisadores Murilo Noli da Fonseca e Luciene Pimentel da Silva, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). O levantamento foi publicado na revista científica Progress in Disaster Science.

Segundo os pesquisadores, uma mensagem eficaz precisa informar quem está emitindo o alerta, qual é o perigo, onde a ocorrência pode acontecer, quais medidas devem ser adotadas e por quanto tempo a população deve permanecer atenta.

A ausência dessas informações pode dificultar a compreensão do risco e prejudicar a tomada de decisões, especialmente quando a população precisa agir rapidamente para se proteger.

Falta de informações essenciais

A análise identificou lacunas em diferentes elementos das mensagens. Em apenas 7,7% dos textos havia explicações sobre os possíveis danos provocados pelo perigo anunciado. A indicação precisa da localidade apareceu em 5,9% das mensagens, enquanto somente 9% informavam até quando o risco deveria ser considerado.

Outro problema foi a falta de identificação clara do tipo de comunicação. Em 76,2% dos textos, não havia indicação expressa de que se tratava de aviso, comunicado, alerta ou advertência.

A palavra “alerta” apareceu em 19% das mensagens analisadas. Já “aviso” foi identificada em 2,2% dos textos, enquanto “atenção” apareceu em 1,8%.

Para os autores, quanto mais claras e específicas forem as informações, maiores serão as chances de que as pessoas compreendam a situação e adotem medidas de proteção adequadas.

Limite de caracteres dificulta a comunicação

Um dos desafios apontados pelo estudo é o limite de 160 caracteres dos SMS utilizados no período analisado. A restrição dificulta a inclusão de detalhes sobre o risco, a localização, as orientações de segurança e a duração da situação de perigo.

Como alternativa, os pesquisadores defendem o uso combinado de diferentes canais de comunicação, para que as informações possam chegar à população de forma mais completa e acessível.

Entre as ferramentas que podem complementar os avisos estão o Cell Broadcast, aplicativos de mensagens e sistemas locais de comunicação. O objetivo é ampliar o alcance das notificações e permitir que diferentes públicos recebam orientações adequadas às suas necessidades.

A estratégia também deve considerar pessoas idosas, pessoas com deficiência, diferenças nos níveis de alfabetização e as condições de acesso à informação em cada território.

Chuvas intensas lideram os avisos

As mensagens sobre chuvas intensas representaram 73,6% do total analisado. Na sequência, apareceram os alertas relacionados à baixa umidade do ar, com 8,5%, e ao risco de granizo, que correspondeu a 4,2%.

A distribuição também variou ao longo do ano. Os meses de janeiro e dezembro concentraram, respectivamente, 15,9% e 13,4% dos disparos. Primavera e verão, período que vai de setembro a março no Hemisfério Sul, reuniram aproximadamente 75% das mensagens enviadas em cada ano.

Sudeste concentra a maior parte dos disparos

A Região Sudeste respondeu por 75,2% das mensagens analisadas, seguida pelo Sul, com 18,6%. O Centro-Oeste concentrou 3,7% dos disparos, enquanto o Nordeste teve 1,5% e o Norte, 0,98%.

Os resultados mostram uma distribuição desigual das notificações entre as regiões brasileiras. O estudo também identificou diferenças na qualidade das mensagens conforme o tipo de risco e a localidade.

Novas tecnologias ampliam os canais de alerta

Desde o período analisado pela pesquisa, o sistema brasileiro de comunicação de emergências passou por mudanças. Em 2025, o país ampliou a adoção do Cell Broadcast, tecnologia que permite enviar alertas diretamente aos celulares localizados em áreas de risco, sem necessidade de cadastro prévio.

A ferramenta pode emitir notificações sonoras e visuais sobre situações como inundações, deslizamentos e outros eventos extremos. Mesmo com os avanços tecnológicos, os pesquisadores ressaltam que a eficácia depende não apenas da entrega da mensagem, mas também da clareza das informações e das orientações fornecidas à população.

A conclusão do estudo é que a comunicação de risco precisa combinar tecnologia, mensagens objetivas e instruções práticas para ajudar as pessoas a reconhecer o perigo e saber como agir.