
A quatro dias da eleição, presidente enfrenta o desafio de reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro, que terminou o primeiro turno com 2,2 milhões de votos a mais
A diferença entre os candidatos no primeiro turno foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos. Flávio recebeu 56,1 milhões, enquanto Lula teve 53,9 milhões. Com a proximidade da votação decisiva, a capacidade de ampliar alianças e mobilizar eleitores pode ser determinante para o resultado.
A avaliação é do cientista político Bruno Soller, do Real Time Big Data. Segundo ele, o senador tende a receber uma parcela maior dos votos dos candidatos que ficaram fora da disputa final, o que obriga o presidente a buscar alternativas para compensar essa possível vantagem.
Votos dos candidatos derrotados entram na disputa
Os candidatos que não avançaram para o segundo turno somaram cerca de 9,3 milhões de votos no primeiro turno, mais de quatro vezes a diferença entre Flávio e Lula.
Augusto Cury (Avante) recebeu aproximadamente 3,4 milhões de votos, seguido por Renan Santos (Missão), com 2,7 milhões, e Ronaldo Caiado (PSD), com 2,6 milhões. Romeu Zema (Novo) teve cerca de 326 mil votos.
A transferência desses eleitores, porém, não deve ocorrer de maneira uniforme. Pesquisa Quaest divulgada em 14 de outubro mostrou que Flávio tinha a preferência de 42% dos eleitores que votaram em Caiado, enquanto 23% declararam apoio a Lula.
Entre os eleitores de Renan Santos, o senador aparecia com 40% das intenções de voto, contra 14% do presidente. Já no grupo que havia escolhido Augusto Cury, Lula registrava 34%, enquanto Flávio somava 30%.
Os números indicam que o presidente encontra maior possibilidade de ampliar seu apoio entre os antigos eleitores de Cury, enquanto Flávio aparece em posição mais favorável entre os que votaram em Caiado e Renan Santos.
Na avaliação de Soller, a vantagem conquistada pelo senador na primeira etapa da eleição torna essa movimentação especialmente importante para o desfecho da disputa.
Mais de 33 milhões de eleitores não votaram
Além de buscar votos entre os candidatos derrotados, Lula precisa mobilizar parte dos brasileiros que não compareceram às urnas no dia 4 de outubro.
No primeiro turno, 33,4 milhões de eleitores deixaram de votar, o equivalente a 21,08% do eleitorado apto. O índice foi um dos mais altos registrados em eleições presidenciais desde 1998, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Para o cientista político, o desafio do presidente é duplo: convencer esses eleitores a comparecer no segundo turno e, depois, conquistar o voto deles.
A mobilização dos ausentes, entretanto, não representa uma vantagem exclusiva para o petista. Levantamento da Quaest divulgado em outubro indicou que, entre os entrevistados que haviam faltado à primeira votação ou escolhido branco ou nulo, 43% pretendiam votar em Lula no segundo turno, enquanto 38% declararam preferência por Flávio.
A diferença sugere uma vantagem numérica para o presidente nesse grupo, mas o comportamento dos eleitores até domingo ainda pode alterar o cenário.
Campanhas intensificam mobilização na reta final
A capacidade de levar apoiadores às urnas também preocupa as campanhas diante da ausência de disputas para governador em estados importantes, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Sem candidatos estaduais concorrendo ao segundo turno nessas unidades da Federação, as campanhas presidenciais podem ter menos apoio de estruturas políticas locais para estimular o comparecimento.
Em 2022, a abstenção passou de 20,95% no primeiro turno para 20,59% no segundo, uma queda de apenas 0,36 ponto percentual. O histórico mostra que a realização de uma nova votação não garante, por si só, uma participação maior do eleitorado.
Na última semana antes da eleição, aliados de Lula intensificaram os atos públicos, as viagens e a participação de lideranças políticas para ampliar o alcance da campanha. O PL, por sua vez, procura manter a mobilização de sua base e conquistar eleitores que ainda não decidiram apoiar Flávio.
A votação está marcada para domingo (25), quando os eleitores escolherão entre Lula e Flávio Bolsonaro. Com a disputa tecnicamente empatada nas pesquisas e milhões de votos ainda em disputa, a transferência de apoio e o comparecimento às urnas estão entre os fatores que podem definir o resultado.




















