Lula aceita condições de Flávio Bolsonaro para abertura de sigilos e promete resposta ao TSE

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Lula não se opõe a condições impostas por Flávio sobre sigilo (Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação Lula)

Senador Camilo Santana afirmou que presidente vai formalizar posição nesta quinta-feira; campanha petista questiona retirada de empresa da lista apresentada pelo adversário

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aceitou as condições apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos no embate entre os dois candidatos à Presidência. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (21) pelo senador Camilo Santana (PT-CE), um dos coordenadores da campanha petista, que anunciou a apresentação de uma nova manifestação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 11h de quinta-feira (22).

A disputa começou durante o debate presidencial realizado pela Band no domingo (18), quando Lula desafiou o adversário a autorizar a divulgação de informações sigilosas. No dia seguinte, o presidente formalizou um pedido para permitir o acesso aos próprios dados e aos de familiares, condicionando a iniciativa à adoção de medida equivalente por Flávio.

Em resposta, o senador do PL apresentou ao TSE uma petição na qual concordou em abrir seus sigilos referentes aos últimos 20 anos, mas estabeleceu condições para que a medida também alcance pessoas próximas ao presidente, empresas e informações relacionadas à administração federal.

Em entrevista a jornalistas, Camilo afirmou que Lula não se opõe às exigências apresentadas pelo adversário, desde que Flávio também cumpra os termos propostos.

“Não se opõe a absolutamente nada”, declarou o senador ao resumir a posição da campanha petista.

Campanha questiona retirada de empresa

Apesar de aceitar as condições, Camilo disse considerar estranho que Flávio tenha retirado da lista uma empresa chamada Alcazar, pertencente ao advogado Willer Tomaz, apontado como amigo do senador.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, a empresa aparece em investigações da Polícia Federal, nas quais Flávio é apontado como suposto usuário principal de uma conta vinculada à companhia. As suspeitas e os vínculos mencionados fazem parte de apurações e não representam, por si só, comprovação de irregularidade.

Camilo cobrou explicações sobre a exclusão da empresa e afirmou que a campanha de Lula pretende formalizar sua posição no TSE, reiterando que aceita as condições apresentadas pelo adversário.

O que está em discussão

A proposta de abertura de sigilos envolve dados bancários, fiscais e telefônicos dos candidatos e de pessoas relacionadas a eles. Entre as condições apresentadas por Flávio estão a divulgação de informações do ex-assessor presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, além de dados ligados ao Instituto Lula e registros de gastos e atividades envolvendo a primeira-dama, Janja da Silva.

O senador também apresentou pedidos relacionados a informações do governo federal e a contatos com pessoas investigadas, incluindo o banqueiro Daniel Vorcaro.

A campanha petista informou que a resposta será protocolada no TSE às 11h desta quinta-feira (22). Segundo Camilo, Flávio terá até o mesmo horário para confirmar se aceita os termos propostos para a abertura dos sigilos.

A discussão ocorre a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, em meio à troca de acusações entre os dois candidatos.