PL cria canal para receber denúncias de violência e uso político-partidário em escolas estaduais

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(Foto: Bruno Rezende)

Começou a tramitar na Assembleia Legislativa (ALEMS) o Projeto de Lei (PL) que institui o Canal Escola Segura, espaço oficial e sigiloso destinado a pais, responsáveis e alunos da Rede Estadual de Ensino (REE) para denunciar casos de violência, discriminação e apropriação política no ambiente escolar.

A matéria é semelhante a outra que também começou a tramitar nesta semana na Câmara Municipal de Campo Grande, no caso, especificamente voltada às instituições da Rede Municipal de Ensino (REME).

O texto original já recebeu uma emenda e segue para análise da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR). Se aprovado, passará por comissões de mérito e votação no plenário em dois turnos de discussão e votação.

O que pode ser denunciado?

Pelo proposta, o canal deve abranger o ambiente escolar em sentido amplo: dependências da escola, entorno, transporte escolar, atividades externas e canais digitais institucionais.

São objetos de denúncia:

  • Violência física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial;
  • Bullying e cyberbullying;
  • Ameaças de ataques ou atos de violência;
  • Discriminação por religião, convicção política, raça, etnia, gênero ou origem;
  • Uso da escola, de recursos ou de atividades para propaganda político-partidária ou promoção pessoal de agentes públicos;
  • Imposição de posicionamentos ideológicos ou punição a alunos que recusarem aderir a eles.

Como funcionará?

Ainda conforme prevê o texto apresentado, o sistema será operado pelas ouvidorias já existentes no Poder Executivo, sem criação de novos cargos ou estrutura.

As denúncias poderão ser feitas de forma identificada ou anônima, com a identidade do denunciante será sempre protegida. Será gerado número de protocolo para acompanhamento.

Além disso, os canais de acesso deverão incluir formulário eletrônico, telefone, aplicativos de mensagem e atendimento presencial.

Os relatos serão encaminhados conforme o caso: Secretaria de Educação, Conselho Tutelar, polícia, Ministério Público ou Justiça Eleitoral. A matéria garante ainda que as denúncias comprovadamente falsas sujeitarão o autor a sanções legais.

Autor do PL, o deputado Marcio Fernandes justificou que os episódios de agressão, intimidação, ameaças de ataque e constrangimento dentro das escolas têm se repetido em Mato Grosso do Sul e em todo o país.

“Hoje, muitas famílias não sabem a quem recorrer. Falta um canal específico, conhecido pela comunidade escolar, que garanta sigilo, protocolo e encaminhamento ao órgão certo”, afirma o deputado.