Ministra da Justiça do Paraguai apresenta renúncia, mas presidente não aceita

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19/01/2020 13h59
Por: Redação

Na tarde deste domingo (19), a Ministra da Justiça do Paraguai, Cecilia Pérez, apresentou sua renúncia ao Presidente da República durante uma reunião realizada em Mburuvicha Róga, após fuga em massa de 75 presos da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) da Penitenciária Regional de Pedro Juan Caballero, na linha de fronteira ao lado de Ponta Porã.

A ministra havia já comunicado a imprensa que no encontro com o presidente da República, Mario Abdo Benítez, iria oferecer sua renúncia ao cargo de Ministro da Justiça. “A responsabilidade política deste ministério é minha e eu trabalho e devo ao Presidente da República, à cidadania e à opinião pública. O presidente tomará a decisão que ele deve tomar”, afirmou.

Perez disse que, se o presidente determinar, ela continuará trabalhando para reverter “esses eventos sérios”, para que as responsabilidades sejam determinadas e as pessoas envolvidas sejam processadas.

Mas tudo não passou de uma intenção, segundo site ABC Color, pois o presidente Mario Abdo Benítez rejeitou o pedido em um dos momentos mais críticos para a pasta do estado, com fuga dos presos.

Pelo twitter, a senadora paraguaia Lilian Samaniego chegou a lamentar a renúncia da ministra, que chamou de “grande perda para o governo nacional”. “Ela representava a coragem e a valentia da mulher paraguaia”, disse.

Cecilia Pérez, na manhã de hoje, já havia declarado que “a possibilidade de envolvimento de agentes penitenciários corruptos” é alta na fuga dos 75 membros do Primeiro Comando da Capital (PCC).

“Impossível que eles não tenham visto a quantidade de areia em uma das celas. O túnel foi cavado de uma cela que vai para o lado da prisão. Não é possível que os funcionários não tenham visto uma saída no perímetro da penitenciária. Existe um conluio brutal óbvio”, disse a ministra Pérez.

A ministra da Justiça confirmou que o chefe de Segurança, Matías Vargas, e o diretor da penitenciária, Cristian González, foram demitidos. Também foram presos cinco guardas da prisão.

O ministro do Interior, Euclides Acevedo, afirmou que a fuga foi uma libertação de prisioneiros. “Já nos dias anteriores vários dos fugitivos teriam deixado a prisão pela porta principal. Isso implica que, com efeito, toda a penitenciária está envolvida”.

Ele afirmou que a maioria dos 75 presos do PCC que escaparam da prisão “não saiu pelo túnel”. Os outros, segundo o ministro, “saíram pela porta da frente”.

Em 16 de dezembro, a ministra da Justiça, Cecilia Pérez, e o vice-ministro de Política Penal, Hugo Volpe, relataram a descoberta de um plano de voo para um suposto membro do Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com os dados fornecidos pelas autoridades, a quantia de até US$ 80 mil foi oferecida a agentes penitenciários ou membros das forças públicas para esse fim. Perez acrescentou que, segundo a inteligência, a fuga foi planejada para um preso da Penitenciária Regional Pedro Juan Caballero, em Amambay.

No centro, Ministra da Justiça do Paraguai Cecília Pérez em coletiva de imprensa neste domingo (19). Bondade/ABC Color