A menos de um mês das convenções, pré-candidatos intensificam busca por vices

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Urna eletrônica (Foto: Justiça Eleitoral)

Alianças partidárias, ampliação do eleitorado e maior tempo de TV estão entre os fatores que orientam a escolha das chapas para a eleição presidencial

Com a aproximação das convenções partidárias, marcadas para ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto, as articulações para a escolha dos candidatos a vice-presidente ganharam intensidade entre as principais pré-campanhas ao Palácio do Planalto. Além de fortalecer alianças políticas, a definição do nome que acompanhará o presidenciável é vista como estratégica para ampliar o alcance eleitoral e consolidar coligações.

Nos bastidores, interlocutores das campanhas afirmam que dois fatores têm pesado na escolha dos vices: a capacidade de dialogar com segmentos do eleitorado onde o candidato enfrenta maior resistência e a possibilidade de atrair partidos aliados, garantindo mais tempo de propaganda no rádio e na televisão.

Para o cientista político Carlos Ranulfo, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a escolha do vice funciona principalmente como um sinal político. “O bom vice pode não trazer muitos votos diretamente, mas representa uma mensagem do partido para determinados grupos do eleitorado, para outras legendas e para a opinião pública”, avalia.

Segundo ele, muitas campanhas evitam formar chapas compostas apenas por integrantes da mesma sigla, conhecidas como “chapas puro-sangue”, justamente para ampliar o diálogo com outros setores políticos.

Lula confirma repetição da chapa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já definiu que disputará a reeleição ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), repetindo a composição vencedora de 2022.

Aliados de Alckmin defendem sua permanência na chapa com base em características como discrição, lealdade política e capacidade de articulação institucional.

Antes da confirmação, integrantes do entorno de Lula chegaram a defender a substituição do PSB por um nome do MDB, argumentando que a mudança poderia ampliar o diálogo com setores do centro político. A proposta, porém, não avançou.

Flávio Bolsonaro procura uma mulher para vice

Na pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), a prioridade é encontrar uma mulher para compor a chapa presidencial.

Aliados afirmam que a estratégia busca ampliar a identificação com o eleitorado feminino e, ao mesmo tempo, consolidar uma aliança com partidos do Centrão, o que também garantiria maior tempo de propaganda eleitoral.

Entre os nomes que circulam nas conversas estão as deputadas federais Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE), além da senadora Tereza Cristina (PP-MS).

De acordo com interlocutores do PL, Tereza Cristina é vista como um nome experiente e com forte ligação ao agronegócio. A própria senadora, entretanto, já declarou anteriormente que as especulações sobre uma eventual candidatura à vice-presidência não passam de rumores.

Dentro do partido também surgiu o nome da deputada federal Julia Zanatta (PL-SC), defendido pelo deputado licenciado Eduardo Bolsonaro. Parte da campanha, no entanto, resiste à ideia por considerar que uma chapa formada exclusivamente por integrantes do PL teria menor capacidade de atrair novos eleitores e aliados.

Zema negocia alianças

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), deve anunciar seu candidato a vice nos próximos dias.

Nos bastidores, um dos nomes mais cotados é o do empresário, escritor e palestrante Geraldo Rufino, filiado ao Podemos.

Além da possibilidade de ampliar a diversidade da chapa, aliados avaliam que a escolha poderia facilitar uma aliança com o Podemos, ampliando o tempo de propaganda eleitoral do Novo.

Apesar das negociações entre as direções partidárias, ainda não há definição oficial.

Caiado adia decisão

Na equipe do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), a orientação é deixar a escolha do vice para o período das convenções partidárias.

Segundo integrantes da campanha, o cenário político ainda pode sofrer mudanças, especialmente após recentes movimentações envolvendo lideranças da direita, motivo pelo qual a definição deverá ocorrer apenas nas próximas semanas.

Além do perfil do vice, aliados consideram que a principal necessidade da campanha é ampliar alianças partidárias para aumentar o tempo de exposição durante a propaganda eleitoral.

Renan Santos ainda não definiu companheiro de chapa

O pré-candidato Renan Santos, do partido Missão, também mantém indefinida a escolha do vice.

A expectativa da equipe é concluir a definição durante o período das convenções. Embora a tendência seja indicar um nome da própria legenda, dirigentes não descartam a possibilidade de negociar uma composição com outro partido.