Programação gratuita inclui cerimônia tradicional, exposição de pinturas Guarani Kaiowá, roda de conversa e exibição de documentário
Neste domingo (28), Dourados recebe a segunda etapa da 4ª edição do Festival de Música Indígena, que reúne cerimônias tradicionais, exposição de arte, roda de conversa e sessão de cinema em uma programação gratuita voltada à valorização das culturas originárias. As atividades acontecem no Casulo – Espaço de Cultura e Arte, a partir das 15h, e integram uma série de encontros que se estenderá ao longo do ano.
O festival chega à sua segunda rodada de atividades após a abertura realizada em maio. A proposta é fortalecer o protagonismo indígena em Mato Grosso do Sul por meio da música, das artes visuais, do audiovisual e do intercâmbio de conhecimentos entre diferentes povos e a sociedade.
A programação começa às 15h com a cerimônia tradicional Jehovasy, conduzida pela líder espiritual da Casa de Reza Yvu Verá, de Dourados. No mesmo horário, será aberta ao público a exposição do Festival Itinerante da Pintura Guarani Kaiowá, formada por cerca de 30 obras produzidas por crianças, jovens e anciãos da Aldeia Amambai durante um curso de formação artística.
Segundo o professor Fabrício Deffati, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), a exposição nasceu de um pedido da própria comunidade indígena. As pinturas retratam a identidade e a vivência do povo Guarani Kaiowá e buscam ampliar a visibilidade de suas narrativas por meio da arte, considerada também uma forma de resistência cultural.
Às 16h, a escritora, tradutora e intérprete guarani Emília Espíndola conduz a atividade “Pupa Filosófica – Línguas, memória e escuta entre mundos”. O encontro é inspirado no processo de tradução da obra Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, para variantes da língua guarani, propondo reflexões sobre memória, literatura e o fortalecimento das línguas indígenas.
Na sequência, às 17h, o Cine Clube Casulo exibe o documentário Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá, dentro da 15ª Mostra Cinema e Direitos Humanos (2025/2026). O longa acompanha a trajetória das cineastas Sueli e Maísa Maxakali na busca pelo pai e aborda temas como território, ancestralidade e resistência dos povos indígenas.
A gestora do Casulo e coordenadora-geral do festival, Júlia Aissa, destaca que o evento deixou de ser uma iniciativa pontual para se consolidar como um espaço permanente de valorização das culturas indígenas no Estado. Segundo ela, além das apresentações artísticas, o festival promove formação, diálogo entre tradição e contemporaneidade e contribui para a preservação da memória e o fortalecimento das comunidades.
Quem participou da primeira etapa aprovou a iniciativa. O indígena da etnia Guarani Kaiowá Abrísio Silva afirmou que as oficinas e apresentações mobilizaram a comunidade e despertaram o interesse do público pela continuidade do projeto. Para ele, o festival fortalece a cultura e proporciona momentos de integração e valorização dos povos originários.
A 4ª edição do Festival de Música Indígena conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) e da Lei Paulo Gustavo, por meio do Ministério da Cultura, Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul e Governo do Estado, além do apoio da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), da Mostra Cinema e Direitos Humanos e de instituições parceiras.
Serviço
Festival de Música Indígena – 4ª edição | 2ª etapa
Data: domingo (28 de junho)
Horário: a partir das 15h
Local: Casulo – Espaço de Cultura e Arte
Endereço: Rua Reinaldo Bianchi, 398, Parque Alvorada, em Dourados
Programação:
- 15h – Cerimônia Jehovasy e abertura da exposição do Festival Itinerante da Pintura Guarani Kaiowá;
- 16h – Pupa Filosófica: Línguas, memória e escuta entre mundos;
- 17h – Exibição do documentário Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá.
A entrada é gratuita.





















